Projeto H2OEfficient entra numa nova fase
A nova fase do projeto H2OEfficient vai centrar-se em regiões e culturas agrícolas onde ainda existe pouca partilha de conhecimento. O trabalho vai incidir no cultivo de abacate na Península de Setúbal, Alentejo Litoral e Algarve, citrinos no Algarve, amendoal no Alentejo e olival em Trás-os-Montes e Alto Douro. Esta etapa surge depois de uma fase-piloto, desenvolvida em campos de demonstração onde foram instalados sensores que medem e indicam a humidade do solo, o estado das plantas e as necessidades hídricas ao longo da época agrícola, e na qual se testaram técnicas como a rega enterrada em pomar de maçã, a reutilização de águas de lavagem de lagar na rega do olival ou a tecnologia Aqua4D, para aumento da disponibilidade de água em zonas de grande salinidade, no cultivo de tomate de indústria.
O objetivo da nova fase do H2OEfficient é, assim, amplificar os resultados obtidos durante a fase piloto (2023-2025), não só através de ações de demonstração de técnicas e tecnologias de rega mais eficientes, em culturas agrícolas e regiões onde foram identificadas carências na transferência de conhecimento, mas também através da prossecução de ensaios com tecnologias inovadoras de rega para obtenção de dados mais robustos, nomeadamente em termos de poupança de água ou de melhoria da qualidade do solo.
Impacto da primeira fase do projeto
Os resultados da fase-piloto foram muito positivos, com registo de redução de quantidade de água (em alguns casos entre 20 e 30%), de tempo de rega e de necessidade de herbicidas, sem comprometer a qualidade e a quantidade da produção.
Os campos de demonstração declinaram em sessões práticas de partilha de conhecimentos com agricultores em estágios menos avançados de sofisticação tecnológica. Assentes numa metodologia de aprendizagem entre pares, estas ações alcançaram 1.890 participantes, superando a expectativa inicial. Os inquéritos de satisfação realizados posteriormente revelaram que 93% dos participantes demonstraram interesse em implementar as práticas abordadas, especialmente o uso de sensores, de tecnologias de análise da condutividade elétrica e de textura do solo ou de monitorização através de imagens de drone.
Águas residuais e outras oportunidades
A utilização de águas residuais em culturas perenes foi abordada de forma exploratória na fase-piloto. Apesar de se tratar de uma prática com um grande potencial (uma vez que em Portugal apenas 1,2% da água residual tratada é reutilizada), encontra ainda muita resistência por parte de toda a cadeia de valor, incluindo dos próprios produtores. Um dos objetivos na nova fase do projeto é continuar a promover esta solução, que pode constituir uma enorme oportunidade para uma agricultura sustentável.
Financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian no quadro da iniciativa Gulbenkian Água, o projeto H2OEfficient visa capacitar agricultores para a adoção de tecnologias de rega mais eficientes e testar novas tecnologias neste âmbito, sendo coordenado pelo Centro Operativo e Tecnológico Hortofrutícola Nacional (COTHN) e pela Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Santarém.
O projeto H2OEfficient foi distinguido com o Prémio Inovação da revista Vida Rural.
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