6 Janeiro 2021

Espólio documental de Leitão de Barros doado à Fundação Calouste Gulbenkian

Manuscritos, correspondência e fotografias são alguns dos documentos deste importante espólio que agora integra o acervo da Biblioteca de Arte.

Leitão de Barros na preparação do Cortejo das comemorações do VIII Centenário da Tomada de Lisboa, de que foi o director artístico, realizado em 1947. Fotografia Estúdio Horácio Novais © Biblioteca de Arte Gulbenkian
Leitão de Barros na preparação do Cortejo das comemorações do VIII Centenário da Tomada de Lisboa, de que foi o director artístico, realizado em 1947. Fotografia Estúdio Horácio Novais. © Biblioteca de Arte Gulbenkian

Por doação da família, a Fundação Gulbenkian recebeu o espólio documental de José Leitão de Barros (1896-1967), autor prolífico e personagem relevante na paisagem cultural do século XX português. Este espólio, que passou a integrar o acervo da Biblioteca de Arte, é constituído por um conjunto diversificado de documentação, que inclui correspondência, espécies fotográficas produzidas no âmbito da sua atividade cinematográfica e manuscritos de argumentos para filmes, de crónicas para imprensa e de textos de teatro.

Nascido em Lisboa, Leitão de Barros foi professor, jornalista, dramaturgo, pintor e cineasta. As ligações pessoais, familiares e profissionais que estabeleceu ao longo da sua vida – era marido da pintora Helena Roque Gameiro e cunhado do arquiteto Cottinelli Telmo e do pintor Martins Barata – tornam o seu espólio um relevante testemunho documental para a compreensão do meio cultural e artístico nacional entre as décadas de 1930 e 1960.

O espólio de José Leitão de Barros contém documentação pertinente para o estudo de aspetos como as relações de poder do Estado Novo com os artistas e o papel da “política do espírito” nas encomendas oficiais e na propaganda do regime. Testemunha também as relações entre a comunidade de artistas, a colaboração entre as várias disciplinas artísticas (artes plásticas, cinema, arquitetura e arquitetura efémera), e a mudança de paradigma nas artes gráficas e na utilização da fotografia em publicações nacionais, de que o álbum Portugal 1934 – em cuja direção artística esteve Leitão de Barros -, é um dos melhores exemplos.

A documentação agora entregue será disponibilizada para consulta à medida que for sendo tratada e integrada no catálogo da Biblioteca de Arte da Fundação Gulbenkian.