Fire!

Defeat

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Ao longo dos últimos 12 anos, têm sido várias as constelações dispostas em torno do trio Fire!, formado por Mats Gustafsson, Johan Berthling e Andreas Werliin, ampliando ou retraindo uma abordagem sempre intempestiva da música improvisada. Em trio ou como orquestra, acompanhados por Jim O’Rourke ou Oren Ambarchi, as possibilidades têm sido múltiplas e a capacidade de causar espanto em quem ouve ilimitada. Desta vez, na companhia de Goran Kajfeš e Mats Äleklint, os Fire! apresentam-se como quinteto e numa formação que se abre à entrada da flauta. Tudo e nada muda a partir daí. A música já não é a mesma, quando acolhe um elemento novo; e, no entanto, continua a ser movida pelo mesmo impulso de descoberta e revelação.


Programa

Mats Gustafsson Saxofone
Johan Berthling Baixo elétrico
Andreas Werliin Bateria
Goran Kajfeš Trompete
Mats Äleklint Trombone

“Defeat”, o mais recente opus dos Fire! de Mats Gustafsson, Johan Berthling e Andreas Werling, não tem só a novidade de incluir dois convidados, Goran Kajfeš e Mats Äleklint (a esse nível, tal já sucedera com a inclusão de Jim O’Rourke em “Unreleased?” e de Oren Ambarchi em “In the Mouth a Hand”), mas de, neste disco que, mais uma vez, contrasta com os anteriores, a flauta ganhar um lugar proeminente. A articulação do expressionismo e da energia próprios do free jazz com grooves de efeito hipnótico, sobretudo provenientes do rock, continua a ser uma característica deste trio feito quinteto que aproveita da paralela Fire! Orchestra, embora a um nível mais reduzido, as massas sonoras produzidas pelos metais. Estes, importante é de realçar, seguindo os arranjos deixados ao cargo de um dos elementos da big band, o referido Äleklint. E talvez porque a flauta é o instrumento com maior evidência, necessitando de espaço para se fazer ouvir, a música surge com proporções e configurações bastante distintas: é mais contida e, por vezes até, ganha uma suavidade que chega a ser sensual de tão encenada.

Se Gustafsson não consegue deixar de subverter os seus próprios conceitos, pelo que o podemos ouvir a vocalizar flautisticamente à maneira de Roland Kirk e Ian Anderson, o certo é que este bem pode ser o mais melancólico e gentil de todos os projectos do trio Fire! e, inclusive, de todo o percurso do multi-instrumentista. De arrasto vem um psicadelismo ainda mais encantatório e uma dimensão contemplativa que ilumina particularidades individuais dos músicos envolvidos que não estavam ainda servidas pelo grupo. Bastou uma pequena mudança de recursos para se chegar a tamanha transformação, denotando bem a capacidade de reinvenção destes músicos. A audácia prossegue, mas agora de forma mais leve e fresca.

Rui Eduardo Paes

 


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