Fernão Cruz. Morder o Pó

Morder o Pó é uma exposição individual de Fernão Cruz que apresenta uma seleção de pinturas e esculturas inéditas num projeto pensado de raiz para a Fundação Calouste Gulbenkian.

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Desde a sua criação, a Fundação Calouste Gulbenkian tem apoiado o trabalho de artistas jovens e emergentes na cena artística nacional, dando espaço e visibilidade à sua expressão criativa. Morder o Pó é o título da exposição individual de Fernão Cruz (Lisboa, 1995), um jovem artista cujo percurso se tem vindo a consolidar nos últimos anos.

A exposição resulta de um convite feito diretamente ao artista e corresponde a um projeto pensado de raiz para a Fundação Gulbenkian. Serão mostradas 30 obras inéditas: 10 telas pintadas a óleo e a resina alquídica e 20 esculturas, quase todas em bronze, instaladas em dois espaços sucessivos, mas distintos, separados por um corredor escuro que o visitante é convidado a percorrer depois de passar uma porta-pintura entreaberta.

Sobre a sua prática artística, Fernão Cruz revela que há um apagar recorrente do que pinta e que o trabalho «tem de ser capaz da sua possível autodestruição», acrescentando que «é crucial que haja tentativas e pinturas falhadas para que possa conferir sentido àquilo que faz e que acaba por não ser destruído ou esquecido».

Embora este projeto reflita sobre a morte, a perda, a queda, o artista explica-nos que «Morder o Pó é também uma ode à vida que disfarça o medo. Uma tentativa de aceitação.» E diz-nos: «Se por um lado o título revela um certo receio da não presença (que julgo ser diferente da ausência), a exposição pode ser também uma festa».

A exposição será acompanhada por um catálogo com um texto da curadora da exposição, Leonor Nazaré, uma conversa com o artista e a reprodução de todas as obras expostas. Cada exemplar do catálogo contemplará uma oferta especial: um desenho único e inédito, assinado pelo artista.

 

Curadoria: Leonor Nazaré


VISTA GERAL DA EXPOSIÇÃO


VÍDEO

Entrevista ao artista no ateliê


BIOGRAFIA

Fernão Cruz (1995) nasceu em Lisboa, cidade onde vive e trabalha. Licenciado em Pintura pela FBAUL (2017), viveu, estudou e trabalhou em Barcelona, na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Barcelona, entre 2016 e 2017. Em 2018, apresentou o livro de autor Stretching Can Be Easy, em colaboração com Rui da Paz. Foi artista residente no BananaJam Art Space em Shenzhen, na China (2017), e no Centro de Estudos de Arte Contemporânea, em Vila Nova da Barquinha (2018). Foi vencedor do prémio nacional Arte Jovem 2017, atribuído pelo Carpe Diem Arte e Pesquisa e pela Fundação Millennium bcp.

Expõe com regularidade desde 2015, destacando-se as seguintes exposições individuais: Quarto Blindado, CIAJG – Centro Internacional das Artes José de Guimarães (Guimarães, 2021), com curadoria de Marta Mestre; Flying Tombstones, ARCO Madrid, solo project, Galeria Balcony (Madrid, 2020), com curadoria de Övül Ö. Durmusoglu e Tiago de Abreu Pinto; Bring a Friend to the End, Sade Gallery (Los Angeles, 2020), com Francisco Mendes Moreira; The White Goodbye: O que entra pelos olhos e sai pelas mãos, Galeria Balcony, off-site (Lisboa, 2019); Fortaleza, Travessa da Ermida (Lisboa, 2018), com curadoria de Sandro Resende; Long Story Short, Galeria Balcony (Lisboa, 2018); The Second Star to the Right, Balaclava Noir, off-site (Lisboa, 2018). Participou em exposições de grupo, como Red Light: Sexualidade e Representação na Coleção Norlinda e José Lima, Centro de Arte Oliva (São João da Madeira, 2020), com curadoria de Sandra Vieira Jürgens; Fazer de Casa Labirinto, Galeria Balcony (Lisboa, 2020), com curadoria de Ana Cristina Cachola e Sérgio Fazenda Rodrigues; Constelações, Museu Coleção Berardo (Lisboa, 2019), com curadoria de Ana Rito e Hugo Barata; Canal Aberto, Appleton [Box] (Lisboa, 2019); O Futuro do Presente, Cisterna FBAUL (Lisboa, 2018), com curadoria de Vítor dos Reis; Cola Cuspo, Espaço AZ••• (Lisboa, 2018); 289, Associação 289 (Faro, 2018), com projeto de Pedro Cabrita Reis; @britishbar#6, British Bar (Lisboa, 2017), com projeto de Pedro Cabrita Reis; We are the ones vol. 1,  Carlsberg Byens Galleri & Kunstsalon (Copenhaga, 2017); Quatro Elementos, Galeria Municipal do Porto (Porto, 2017), com curadoria de Pedro Faro; A Dispensa, Pavilhão 31 (Lisboa, 2017); Panorama, Le Consulat (Lisboa, 2017), com curadoria de Adelaide Ginga; Prémio Paula Rego 2016, Casa das Histórias (Cascais, 2016).

O seu trabalho está representado em coleções, como a Coleção de Arte Contemporânea do Estado Português, a Coleção António Cachola, a Coleção de Arte Fundação EDP, a Coleção Norlinda e José Lima, a Coleção Figueiredo Ribeiro, a Fundação PLMJ e noutras coleções particulares.

Atelier, fevereiro 2021. Cortesia do artista. Fotografia: Luís Rocha


NA IMPRENSA


Textos dos Curadores

Atenta à geração de artistas emergentes, a equipa do CAM procura oferecer espaço à sua expressão, a par da restante programação. Esta exposição resulta de um convite feito a Fernão Cruz para a realização de uma exposição individual e corresponde a um projeto pensado de raiz para a Fundação Calouste Gulbenkian e, portanto, com obras inéditas: pintura e escultura instaladas em dois espaços sucessivos, mas distintos e separados por um corredor que o visitante é convidado a percorrer.

A pintura é um espaço de ficção exaltado pelo humor e por gestos expansivos. Passa a ser também, neste projeto, porta basculante para outra dimensão: uma passagem estreita e um lugar escurecido onde a escultura fica em queda livre, num abismo insondável.

Da pintura de Fernão Cruz fica sempre a impressão forte da sua componente lúdica, da cor esfusiante, da diatribe linguística, dos jogos de palavras e formas, dos recortes e da plasticidade, da escala em função de uma necessária rapidez dos olhos e das sensações. O mundo pode ser essa festa em que um desenho contínuo se anima nos ecrãs, em que uma surrealidade onírica descomprometida e caótica se reveste de efervescência, metamorfose, singularidade, erupções, escorrência, surpresa, absurdo, contorção, desfaçatez e inconsequência. Mas um trabalho, diz Fernão Cruz, «tem de ser capaz da sua possível autodestruição». Qualquer trabalho está em movimento contínuo desde que começa a ser empreendido. E se a arte valer pela vida, o trabalho é mutação rítmica e renovada de ambas.

A porta-pintura basculante da primeira sala da exposição é uma proposta de travessia: para o outro lado da pintura e das superfícies, para a experiência do volume, noutro nível de realidade. Sair da segunda para a terceira dimensão e desta para o tempo da morte e para a gestão da luz não significa apenas tornar precária a distinção entre imagem e objeto, ideia e concretização, ecrã e espacialidade; significa sobretudo o abandono voluntário das coordenadas de segurança. «Sala de pânico»? Sala de humor negro e desamparo diante da gravitas da situação.

Os objetos em bronze, que povoam as paredes como ex-votos prosaicos, são apontamentos mais ou menos caprichosos daquilo que atravessa a correria concreta dos dias, mas também da fantasia que os assola. Ao centro, um rapto ilegítimo é consumado por uma ave de rapina gigante: rapto de uma veste (uma pele), de uma camada de alma.

 

Leonor Nazaré
Curadora


Programa

Conversa com a curadora e o artista
Sexta, 24 de setembro, 17:00 / Galeria de Exposições Temporárias
Sexta, 22 de outubro, 17:00 / Galeria de Exposições Temporárias
Sexta, 19 de novembro, 17:00 / Galeria de Exposições Temporárias

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Conversa com a curadora e o artista
Terça, 26 de outubro, 17:00 / Transmissão em direto

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Visitas presenciais para grupos organizados
Mediante marcação prévia, através de preenchimento de formulário online

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