Arte com todos?

Conversas sobre arte, acessibilidade e inclusão

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Os profissionais do setor cultural europeu não têm a experiência e o conhecimento necessários para permitir o acesso equitativo ao setor por parte de artistas, profissionais de artes e públicos com deficiência, de acordo com o estudo Time to Act encomendado pelo British Council e publicado em novembro de 2021. Esta inadequação do setor cultural cria barreiras que, cada vez mais, precisamos de debater e transpor. Torna-se urgente colocar as questões da acessibilidade, diversidade e inclusão no centro de uma discussão sobre as práticas e estruturas da programação cultural e da experiência artística, quer do ponto de vista dos seus atores como do ponto de vista dos públicos.

É tempo de agir! It’s time to act!

Este encontro surge para sinalizar a urgência da reflexão sobre estas questões, de forma a promover e a incitar a mudança, envolvendo-nos enquanto profissionais da cultura e das artes, mediadores ou cidadãos, num processo conjunto de transformação de paradigmas.

Neste encontro com 3 painéis, artistas, programadores, ativistas, mediadores e outros profissionais da cultura ─ com e sem deficiência ─, vão debater as questões e os desafios que enfrentam no panorama cultural e artístico atual. Além disso, este dia pretende ser um momento de partilha de práticas e projetos na área da mediação inclusiva, que podem constituir terreno fértil para desfazer barreiras e imaginar um panorama cultural e artístico mais inclusivo e acessível. Quem quiser participar pode inscrever-se nos painéis, mas também numa das meta-visitas preparadas para o Jardim Gulbenkian, o Museu Gulbenkian ou a área da Música.

Ao longo do dia, os participantes podem, também, visitar uma obra da exposição Ver com outros olhos que estará exposta na Zona de Congressos do Edifício Sede. Uma pessoa cega ou com baixa visão procura "ver" através dos outros sentidos. O projeto Imagine Conceptuale do MEF – Movimento de Expressão Fotográfica possibilitou a pessoas cegas e com baixa visão a oportunidade de “verem” e construírem uma imagem fotográfica. Apoiado pela iniciativa PARTIS da Fundação Calouste Gulbenkian, o projeto criou uma metodologia de trabalho apoiada na tecnologia para facilitar o acesso às artes visuais e produzir recursos que permitam a universalização do método da audiodescrição aliada à exploração tátil.  Esta tecnologia foi inicialmente utilizada na exposição Ver com outros olhos e volta agora a ser disponibilizada através do testemunho e das imagens de José Moura.

 

Língua Gestual Portuguesa
Carolina Silva, Cidália Jesus, Sofia Figueiredo, Teresa Figueiredo


Programa

09:30 – 10:00   Abertura

10:00 11:40   Tempo de agir

Tony Weaver, ator
Catarina Oliveira, ativista e criadora da página “Uma Espécie Rara”
Henrique Amoedo, diretor artístico da Associação Dançando com a Diferença e do Teatro Viriato
Marco Paiva, diretor artístico da Associação Cultural Terra Amarela
Pedro Penim, diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II

Moderação: 
Maria Vlachou, diretora executiva da Acesso Cultura

12:00 – 12:50   Sem intermediários

Aléxis Fernandes, bailarino da Associação Dançando com a Diferença
Fátima Pinho, teclista da banda 5ª Punkada
Joana Reais, cantora
Rui Fonseca, ator e intérprete

Moderação: 
Mickaella Dantas, bailarina e artista independente

13:00 – 14:00   Pausa para almoço 

14:15 – 16:15   Meta-visitas 

Esta meta-visita replica os modelos de ação da caixa Stereo Suitcase da coleção Isa Soundbox que tem sido utilizada na oficina - Geometrias do corpo e do som,  que integra a programação para públicos com necessidades específicas dos Serviços Educativos da Fundação Calouste Gulbenkian. O modelo foi também utilizado no projeto europeu do qual a Fundação faz parte desde 2017 ─ TANDEM (Tools and New Aproaches for people with disabilities exploring museums) ─, em parceria com museus de sete países europeus.
Isa Soundbox é um projeto de criação e mediação artística transdisciplinar com codireção do cenógrafo e artista plástico João Calixto e do pianista e compositor Simão Costa. Está estruturado como uma coleção de esculturas com dimensão participativa em que o público é convidado a experimentar, de forma tácita, através da interatividade e jogo. A dimensão participativa está assente no entendimento do som como fenómeno físico e do seu potencial de partilha e comunhão.
Este projeto põe em diálogo novas tecnologias e a interatividade, como a criação de comunidade e noção de cooperação em grupo. Tem sido apresentado pelo país com todo o tipo de públicos, independentemente da sua condição motora, cognitiva ou operativa. Todos os jogos são adaptados caso a caso em função das especificidades de cada grupo e de cada participante.

Com Simão Costa 
Edifício Sede – Sala 1
Mín. 5 – Máx. 25

«Olha profundamente para a natureza e compreenderás tudo melhor.»
Albert Einstein

Estará este lugar vivo? O que nos contam as suas formas e padrões orgânicos, a sua dinâmica e vitalidade? E de que modo se relacionam?
A natureza é um livro aberto. Observando cuidadosamente a riqueza das suas formas, cores, texturas, sons, odores, e a magia das suas transformações, ciclos e ritmos, podemos fazer as mais diversas aprendizagens e aquisições. Ao estabelecermos um contacto «corpo a corpo» com a natureza, descobrimos que fazemos parte do mundo natural a partir do qual nos construímos como pessoas. Numa viagem muito sensorial pelo Jardim, vamos usar simples estratégias para despertar o interesse pelo mundo. Observamos na natureza forças, estruturas e limites que também existem dentro de nós, e damos forma às sensações através de um processo artístico. Experiências que poderemos levar connosco e usar diariamente em qualquer lugar vivo!

Com Ana Manta e Susana Varatojo
Edifício Sede – Sala 2 e Jardim
Mín. 5 – Máx. 25

Em que consiste uma visita acessível para pessoas cegas e com baixa visão? Quais as características de uma representação tátil eficaz? Quais as características de um discurso eficaz na exploração de uma obra de arte? Estas questões são essenciais para a compreensão da mediação do público cego e com baixa visão. Nesta meta-visita, a Fátima Alves da Locus Acesso irá apresentar, questionar, explorar e exemplificar com os participantes, a compreensão e apropriação da arte visual pelo público cego e com baixa visão.

Com Fátima Alves
Museu Calouste Gulbenkian – Galeria principal
Mín. 5 – Máx. 25

16:30 – 18:00   Praticar a mudança

Inês Neto, directora Pedagógica da APPDA Lisboa
Isabel Craveiro, diretora artística do Teatrão
Margarida Vieira, responsável pela programação acessível da Fundação Calouste Gulbenkian
Nils Wöbke, CAPITO Mecklenburg-Vorpommern
Simão Costa, diretor artístico da MãoSimMão

Moderação: 
Hugo Seabra, Projeto PARTIS da Fundação Calouste Gulbenkian

18:00 – 18:30   Notas finais


BIOGRAFIAS

Nascido em Lisboa, é informático de formação, mas foi nas artes performativas que encontrou a sua paixão. Em 2008, concluiu o curso de Teatro com Rita Salema. Em 2017, fundou a Filmesurdos que conta com 15 longas e 9 curtas-metragens em que participa como ator e realizador. É diretor artístico no projeto europeu Beyond Signs.

É natural do Porto e licenciada em Ciências da Nutrição e da Alimentação. Na sequência de uma inflamação na medula em 2015, passou a deslocar-se numa cadeira de rodas, e criou a página de Instagram @especierarasobrerodas, com o objetivo de mudar mentalidades e quebrar preconceitos relacionados com as pessoas com deficiência.

Nascido em São Paulo, é professor, formador e coreógrafo, a dança e a inclusão formam, desde sempre, as linhas mestras dos seus trabalhos. Criou e dirige, desde 2001, a companhia Dançando com a Diferença, com sede na ilha da Madeira. É diretor artístico do Teatro Viriato.

Nasceu na Covilhã, é licenciado em Teatro e tem uma pós-graduação em Empreendedorismo e Estudos da Cultura. Tem colaborado com diversas estruturas como ator e encenador, entre elas o Teatro Nacional D. Maria II, Comuna Teatro de Pesquisa ou a Casa da Música. Em 2018, fundou a Terra Amarela, uma plataforma de criação artística inclusiva.

Nascido em Lisboa, é encenador, ator e dramaturgo. É licenciado em Teatro e tem um mestrado em Gestão Cultural. É fundador do coletivo Teatro Praga e do espaço cultural Rua das Gaivotas 6, em Lisboa. É professor de teatro desde 2009, tendo lecionado em várias universidades portugueses e estrangeiras. É diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II.

Consultora em Gestão e Comunicação Cultural, é membro fundador e diretora executiva da Acesso Cultura. É autora do blog Musing on Culture e de vários livros sobre cultura, gestão e comunicação. Foi diretora de comunicação do São Luiz Teatro Municipal e responsável de comunicação do Pavilhão do Conhecimento. É fellow do ISPA – International Society for the Performing Arts, alumna do DeVos Institute of Arts Management do Kennedy Center for the Performing Arts.

Nasceu na Madeira e iniciou o seu percurso no Grupo de Teatro Oficina Versus. Como cantor, participou em formações, festivais e programas televisivos. Como intérprete de dança, trabalhou com coreógrafos como Henrique Amoedo, Clara Andermatt ou Rui Lopes Graça. Participou, como ator, no filme Super Natural de Jorge Jácome, premiado no Festival Internacional de Cinema de Berlim de 2022.

Nasceu em Luanda e veio para Portugal com 5 anos. Durante muitos anos fez parte da equipa de Boccia da APCC– Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral de Coimbra, tendo recebido vários prémios pela sua prestação como atleta. Em 2007 descobriu a música e foi convidada a integrar a banda 5ª Punkada como teclista.

Nasceu em Lisboa e mudou-se para São Paulo em 2015. É licenciada em Design e em Canto Jazz e tem um mestrado em Artes Performativas. Na sua carreira como cantora já passou por géneros como o fado, flamenco e o blues. Lançou o seu primeiro álbum A Lisboa em 2015.

É ator e intérprete, tem colaborado com a Terra Amarela e com o teatro da Crinabel. Iniciou a sua carreira há 27 anos tendo nessa altura descoberto a sua paixão pelo teatro. Entre as suas últimas atuações destacam-se o espetáculo Como desenhar uma cidade? com encenação de Marco Paiva e apoio do PARTIS ou Calígula morreu. Eu não, uma coprodução da Terra Amarela, Teatro Nacional D. Maria II e Centro Dramático Nacional.

É bailarina e desenvolve o seu trabalho criativo entre a dança e o circo contemporâneo. Iniciou o seu percurso no Brasil, na Roda Viva Companhia de Dança em 2006, foi bailarina do Dançando com a Diferença e da Candoco Dance Company. Foi júri de várias edições do Prémio Acesso Cultura. Colabora com várias universidades, coreógrafos e encenadores em projetos de pesquisa.

Licenciada em Arquitetura Paisagista e com Mestrado em Ensino de Educação Musical no Ensino Básico, desenvolve uma atividade diversificada, tanto em projetos na área da Arquitetura Paisagista como no ensino da Música. Desenvolve regularmente atividades pedagógicas no Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian e em escolas, e colabora pontualmente com outras instituições educativas.

Consultora em acessibilidade cultural na Locus Acesso. Tem dedicado os últimos 23 anos a trabalhar na melhoria das questões de acessibilidade para diversas instituições culturais. Desde 1999 tem acompanhado as práticas de acessibilidade cultural em vários países. É uma das fundadoras do GAM e da Acesso Cultura.

Susana Varatojo é psicóloga clínica há mais de 20 anos e terapeuta artística. Privilegia a integração da psicologia com a natureza e com a arte, e, neste âmbito, foi cofundadora de duas associações pedagógicas e abriu o seu próprio atelier. Colabora com a Fundação Calouste Gulbenkian na conceção e orientação de oficinas pedagógico-artísticas para públicos com necessidades específicas.

Licenciada em Reabilitação Psicomotora, foi formadora no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa. É diretora pedagógica da APPDA Lisboa – Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo. Fez parte da equipa do projeto Band’Autismo, vencedor dos Prémios BPI La Caixa Capacitar 2019, que resultou no nascimento da banda The Ziguais.

É atriz, encenadora, pedagoga e diretora artística do Teatrão. A sua formação de base conjuga o teatro, a pedagogia e a intervenção artística na comunidade. Coordenou vários projetos de teatro com a comunidade desenhados e implementados em parceria com investigadores das ciências sociais numa metodologia de investigação/ação.

Nascida em Lisboa, é licenciada em Educação e tem uma pós-graduação especializada em Crianças e Jovens em Risco e Intervenção Local, é também conselheira de Terapia Gestalt. Coordena as atividades para público com Necessidades Educativas Específicas na Fundação Calouste Gulbenkian, onde é autora, co-autora e consultora de diversas visitas e workshops pensados para estes públicos.

É Diretor do gabinete de acessibilidade – Capito Mecklenburg-Vorpommern. É licenciado em Educação e tem um mestrado em Gestão Social. Coordena o projeto museológico «A New Way to Art» dedicado à formação de mediadores e guias de museu com deficiência, integra o grupo de trabalho da Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência das Nações Unidas.

Músico, pianista, compositor e artista transdisciplinar, encara o som como material plástico, tangível e físico explorando-o nas suas várias dimensões quer a solo quer em colaboração com outros músicos, artistas, performers, atores, encenadores.
É membro fundador e Diretor Artístico da MãoSimMão.

Hugo Seabra é Gestor de Projetos no Programa de Desenvolvimento Sustentável da Fundação Calouste Gulbenkian. É responsável pelas intervenções nos domínios das migrações e práticas artísticas para a inclusão social. Licenciado em Sociologia e com um mestrado em Economia e Sociologia Históricas, juntou-se à Fundação em 2005.


A Fundação Calouste Gulbenkian reserva-se o direito de recolher e conservar registos de imagens, sons e voz para a difusão e preservação da memória da sua atividade cultural e artística. Caso pretenda obter algum esclarecimento, poderá contactar-nos através de [email protected] .


Em colaboração

Mecenas para a Mediação e Acessibilidade do Museu Gulbenkian

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