Guia de Portugal – vol. I – Lisboa e Arredores
Eis a obra-mestra de Raul Proença, o extraordinário bibliotecário e ideólogo pugnaz […] obra concebida, empreendida e levada a efeito em poucos meses, obsessivos e lucidíssimos, por esse impetuoso homem, ascético e combativo, mercê não apenas dos seus dons de realização mas também de aglutinação catalítica de uma verdadeira plêiade de cooperadores, escritores e cientistas.
A sua aspiração mais veemente era a de que a sua obra viesse a ser, no porvir, um perene «livro de amor e devoção» consagrado ao País.
A sua discreta presença e consulta poderá ser reconfortante para os Portugueses de qualquer idade, condição, raiz, ideologia, cultura, estilo ou nível de viver.
Cidade castigada por inúmeros terramotos, o último dos quais, o de 1755, a reduziu quase a ruínas, destruindo edifícios multisseculares, Lisboa não sobressai entre as capitais europeias pelas suas riquezas monumentais nem pela nobre arquitetura das suas igrejas e palácios. […] E se não tivéssemos os Jerónimos, modelo manuelino surpreendente, a torre de Belém, rendilhada maravilha de pedra, o Terreiro do Paço, sem dúvida uma das mais magníficas praças da Europa, e um ou outro portal de igreja nobre e imponente, embora imperfeito, como o de São Vicente, nada teríamos a apresentar ao viajante que pudesse impressioná-lo vivamente pela linha arquitetónica, a grandeza do arranjo ou a riqueza da matéria.
Assim abandonada dos fados e dos homens, Lisboa seria uma cidade quase inteiramente insulsa e inestética, […] se não resgatasse estes defeitos, amplamente, a sua maravilhosa situação dominadora, e não a enriquecesse de pitoresco um rio como o Tejo, raro no mundo, de gradações infinitas de colorido, irreais como panoramas entrevistos em sonhos – rio largo e profundo como um mar, grandioso e evocativo, inconcebivelmente proteico e sempre belo. Nos dias mais luminosos, a Outra Banda é uma faixa de oiro em que rebrilha a neve e o cor de rosa da casaria apinhoada; e a toalha do Tejo, larga e calma, espelhenta e cristalina, parece fundir-se e embeber-se toda num grande sorriso de luz.
(Dos Prefácios de Raul Proença e Sant’Anna Dionísio e do texto de Raul Proença)
Ficha técnica
- Outras Responsabilidades:
Direção: Raul Proença
Coordenação da reedição: Sant’Anna Dionísio
Colaboradores: António Anselmo, Columbano Bordalo Pinheiro, Francisco Gonçalves de Oliveira, Gualdino Gomes, Joaquim Rasteiro, José de Figueiredo, José Joaquim de Almeida, José Lino, Luciano Freire, Luís Keil, Raul Lino, Reynaldo dos Santos, Romão de Sousa, Silva Teles
- Idioma:
- Português
- Editado:
- Lisboa, 2026
- Entidade
- Fundação Calouste Gulbenkian
- Dimensões:
- 170 x 115 mm
- Capa:
- Encadernado
- Páginas:
- 762
- ISBN:
- 978-972-31-0544-5