Ájax

Sófocles

Tal como sucede com a maior parte das tragédias de Sófocles chegadas até nós, também esta não tem data certa. A maioria dos estudiosos pende para uma data situada entre 445 e 440 a.C.

Numa cena localizada na Tróade, Ulisses observa as pegadas que conduzem à tenda de Ájax. Atena, invisível para ele, mas que é reconhecida pela voz, explica-lhe o que se passou: o guerreiro está desde há pouco lá dentro, depois de, num acesso de loucura, que a própria deusa provocara, ter degolado ou maltratado os animais saqueados pelo exército, julgando que eram os chefes gregos que lhe haviam negado a herança das armas de Aquiles, preferindo atribuí-las a Ulisses.

Tecmessa, a cativa de origem régia, descreve o desespero do herói, agora que regressou à razão. Depois de se ouvirem os gritos de Ájax, este sai da tenda e prossegue os seus lamentos. Apenas lhe ordena que mande vir o filho de ambos. Pega nele e faz as suas últimas disposições: que o seu escudo lhe seja entregue; e o resto das armas com ele mesmo sepultado. Ájax profere o seu famoso monólogo. Na cena deserta, o herói aparece sozinho, dirige um apelo aos deuses, despede-se de toda a natureza e cai sobre a ponta da sua espada.

Um dos mais destacados heróis da Ilíada, portador de um escudo «alto com uma torre», o mais valente depois do Rei dos Mirmidões (Aquiles), aparece também na Odisseia. O poeta faz alusão ao suicídio de Ájax, desonrado.

Na tragédia de Sófocles, o motivo da loucura e da carnificina do gado é fundamental na sequência dramática. A figura de Ájax comete suicídio em cena aberta, em total solidão, pouco antes do meio do drama. Ájax é um herói destroçado, desde o momento em que recupera a razão. A comunicação com os amigos (a sua cativa Tecmessa, os marinheiros de Salamina) é quase inexistente. As suas quatro extensas falas são monólogos.

O contraste entre o ideal do guerreiro épico e o do cidadão grego do século V a.C., entre o poder dos deuses e as limitações do homem, são temas que desfilam e se entrecruzam na tragédia de Ájax. O herói da força e da valentia torna-se capaz de meditar sobre a precariedade da condição humana.

(Da introdução de Maria Helena da Rocha Pereira)

Ficha técnica

Outras Responsabilidades:

Introd., trad. do grego e notas por Maria Helena da Rocha Pereira

Edição:
2ª ed.
Coordenação editorial:
Fundação Calouste Gulbenkian
Editado:
Lisboa, 2013
Páginas:
121 p.
ISBN:
978-972-31-1496-6
Atualização em 10 fevereiro 2021

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