Tablets nas escolas: sim ou não?

A Fundação Gulbenkian quis perceber o que acontece numa escola em que os tablets fazem parte do dia a dia. Os resultados do estudo serão apresentados no dia 13 de março.

A ideia era simples. Alunos e professores de duas turmas de uma escola básica e secundária de Lisboa receberiam um tablet (para o uso que entendessem) e, durante dois anos, José Luís Ramos (professor da Universidade de Évora) e José Moura Carvalho (da Direção-Geral da Educação) estudariam a implicação da introdução deste objeto estranho no ensino e na aprendizagem. Os professores usariam a tecnologia para ensinarem melhor, de forma mais criativa e eficaz? E os alunos, aprenderiam mais? Aprenderiam melhor?

No fim do projeto, Moura Carvalho chegou à conclusão de que “nem alunos nem professores são massas homogéneas”. Houve alunos que usaram muito os tablets em casa, para diversão, outros que os usaram pouco, mas de forma eficiente; professores que nem lhes tocaram, famílias que agradeceram a oportunidade e outras que proibiram os filhos de tocar nos aparelhos. Alunos houve que utilizaram a tecnologia a seu favor, outros que baixaram as notas devido ao uso dos equipamentos, tornando-se impossível estabelecer uma relação direta entre o acesso aos tablets e os resultados escolares. No entanto, José Luís Ramos garante que “os alunos que mais utilizaram os tablets” foram também “os que mais aprenderam”. Dito isto, adianta, mesmo que a utilização das novas tecnologias possa criar problemas a alguns professores, “não há maneira de a escola proibir os dispositivos”, porque estes fazem parte da vida dos alunos. E sugere: “Não é melhor ajudá-los a tirar mais partido dos tablets? A escola tem de se acomodar e preparar os alunos para enfrentarem a realidade que é a deles” porque, no fim de contas, “os alunos vão aprender mais e melhor quando algumas estratégias forem seguidas e outras foram eliminadas”.

Na escola, o projeto teve um “grande impacto”, garante Maria José Soares, a diretora do agrupamento que o pôs em prática. Não tem dúvidas de que os tablets “facilitam a aprendizagem”, e que “há maior motivação”. O entusiasmo foi tanto que já criaram um espaço inovador onde “o aluno pode ser o seu próprio foco de aprendizagem”, sem recurso ao professor, e tem tido muito sucesso.

Os resultados do projeto, publicados no estudo Tablets no Ensino e na Aprendizagem. A sala de aula Gulbenkian: Entender o presente, preparar o futuro, são apresentados no dia 13 de março, às 18h.