Qual o valor dos Oceanos?

Apresentados os resultados dos últimos cinco anos de estudo da Iniciativa Gulbenkian Oceanos sobre o valor económico dos benefícios que obtemos do mar.

A Iniciativa Gulbenkian Oceanos, um programa da Fundação que promoveu nos últimos cinco anos o estudo do valor económico dos benefícios que obtemos do mar, apresentou os principais resultados e o impacto alcançado com o seu trabalho na conferência “O Valor dos Oceanos”.

Num inquérito realizado junto de cerca de 200 empresas ligadas ao meio marinho, 80 por cento considerou “urgente” tomar medidas para proteger e conservar o “capital natural”, que mais não é do que o stock dos recursos naturais. Mas apenas 30 por cento dessas empresas estavam a considerar tomar estas medidas no curto prazo, revela um dos vários estudos desenvolvidos pela Iniciativa Gulbenkian Oceanos (2013-2017) que promoveu a sensibilização e capacitação junto do sector empresarial para a tomada de decisões mais sustentáveis.

No final de outubro, na conferência onde foi apresentado de forma resumida um trabalho de cinco anos com uma comunidade alargada, falou-se da importância de traduzir o conhecimento produzido por investigadores e o papel que as fundações e as ONG podem ter nesta mediação com os cidadãos, explicando de forma clara os problemas fundamentais – porque se não soubermos o valor daquilo que os oceanos nos dão, também não saberemos o valor do que nos poderão continuar a dar no futuro se os conservarmos, nem tão-pouco quanto estaremos a perder se os degradarmos ou até destruirmos. “Os cientistas não estão habituados a falar com a sociedade, mas têm de aprender a fazê-lo se também querem valorizar o seu trabalho”, afirmou-se num dos painéis de discussão onde foi ainda sublinhada a necessidade de promover mais investigação interdisciplinar que possa contribuir para melhores políticas marinhas em Portugal.

O impacto económico das ondas gigantes da Nazaré, que mostra como uma campanha mediática foi capaz de reverter a tendência negativa do turismo, a viabilidade económica das energias renováveis marinhas, e o impacto ambiental negativo da pesca de arrasto de fundo em Portugal, uma atividade que se comprova agora beneficiar de subsídios desproporcionados face ao valor que gera para a economia, foram outros temas que concentraram os recursos da Iniciativa Oceanos. Os resultados estão agora explicados nos “policy briefs” – sínteses sobre problemas específicos com recomendações para a definição de políticas dirigidas a decisores e outros interessados.