10 Setembro 2020 Prémio Gulbenkian

Prémio Gulbenkian para a Humanidade apoia várias causas ambientais

A jovem ativista sueca Greta Thunberg, vencedora da primeira edição do Prémio Gulbenkian para a Humanidade apoiou já, com parte do montante do prémio, seis organizações ambientais.

Prémio Gulbenkian para a Humanidade

O combate à Covid-19 na Amazónia, os esforços para tornar o ecocídio um crime internacional e a ajuda às vítimas das inundações na Índia e no Bangladesh foram as primeiras causas que obtiveram apoios da Fundação Greta Thunberg, no valor total de 300 mil euros. Os subsídios foram doados a associações não-governamentais que, no terreno, lutam por estas causas: a SOS Amazonia campaign (da Fridays for Future Brazil); o Stop Ecocide Foundation; e a BRAC Bangladesh, Goonj, Action Aid India e Action Aid Bangladesh.

Recorde-se que a jovem sueca, que foi escolhida pelo Grande Júri entre 136 nomeações provenientes de 46 países, revelou que a sua Fundação iria “doar o dinheiro do Prémio, o mais rapidamente possível, a organizações e projetos que lutam por um mundo sustentável e defendem a natureza, apoiando pessoas que enfrentam os piores impactos da crise ecológica e climática, particularmente as que vivem no Global South.” O valor do Prémio é de 1 milhão de euros.

Na altura do anúncio do Prémio, Jorge Sampaio, presidente do Grande Júri deste Prémio, sublinhou o amplo consenso desta escolha, destacando “a forma como Greta Thunberg conseguiu mobilizar as gerações mais novas para a causa do clima e a sua luta tenaz por mudar um status quo que teima em persistir, que fazem dela uma das figuras mais marcantes da atualidade”. Jorge Sampaio frisou ainda que recai sobre a jovem Greta Thunberg “a enorme responsabilidade de consolidar o seu papel de pedagogia e de liderança no combate contra as alterações climáticas como condição do desenvolvimento sustentável, para o qual a atribuição deste Prémio pretende contribuir”.

Composto por personalidades de renome internacional nos âmbitos científico, tecnológico, político e cultural, o Grande Júri destacou ainda o lado carismático e inspirador de Thunberg e a força da sua mensagem – singular e incómoda -  capaz, por isso, de despertar sentimentos opostos, e a sua capacidade de marcar a diferença no combate às alterações climáticas.

Isabel Mota, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, sublinhou “o compromisso da Fundação para com a urgência da ação climática, contribuindo para uma sociedade mais resiliente e preparada para as alterações globais, protegendo em especial os mais vulneráveis”.

 

GRETA THUNBERG

Nascida em 2003, Greta Thunberg alcançou uma grande projeção internacional ao alertar para a crise existencial que a humanidade enfrenta em virtude das alterações climáticas. Deu voz à preocupação das jovens gerações pelo seu futuro, em risco com o aquecimento global, tendo-se evidenciado pela sua juventude e pelo modo direto e incisivo de comunicar. A sua influência global é sem precedentes para alguém da sua idade. Foi considerada pela Time Magazine uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, tendo sido eleita Personalidade do Ano pela mesma Revista em 2019; a Revista Forbes incluiu-a na lista das 100 Mulheres mais poderosas de 2019, e teve duas nomeações consecutivas para o Prémio Nobel da Paz (2019 e 2020).

 

SOBRE O PRÉMIO E JÚRI

O Prémio Gulbenkian para a Humanidade, atribuído anualmente, no valor de 1 milhão de euros, pretende distinguir pessoas e/ou organizações de todo o mundo cujas contribuições para a mitigação e adaptação às alterações climáticas se destacam pela originalidade, inovação e impacto.

O Grande Júri presidido por Jorge Sampaio, Presidente da República Portuguesa entre 1996 e 2006, integra figuras como Hans Joachim Schellnhuber (Fundador e Diretor Emérito do Instituto Potsdam de Pesquisas sobre o Impacto Climático), Hindou Oumarou Ibrahim (ativista ambiental, Presidente da Associação de Mulheres e Povos Indígenas do Chade), Johan Rockström (Diretor do Instituto Potsdam de Pesquisas sobre o Impacto Climático e Professor de Ciências do Sistema Terrestre na Universidade de Potsdam), Katherine Richardson (Coordenadora do Centro de Ciências da Sustentabilidade da Universidade de Copenhaga), Miguel Arias Cañete (antigo Comissário Europeu da Energia e Ação Climática), Miguel Bastos Araújo (Geógrafo, Prémio Pessoa 2018), Runa Khan (Fundadora e Diretora Executiva da ONG Friendship e Presidente da Global Dignity Bangladesh) e Sunita Narain (escritora e ativista ambiental, Diretora do Centro de Ciência e Ambiente de Nova Deli).

Um Comité de Especialistas, presidido Miguel Bastos Araújo, avaliou numa primeira fase, as 136 nomeações, apresentando uma shortlist com 10 candidatos, para apreciação final do Grande Júri. Este Comité conta com nomes como Arlindo Oliveira (Professor Catedrático do Departamento de Engenharia Informática no Instituto Superior Técnico), Carsten Rahbek (Diretor do Centro de Macroecologia, Evolução e Clima da Universidade de Copenhaga), Rik Leemans (Diretor do Grupo de Análise de Sistemas Ambientais da Universidade de Wageningen) e Viriato Soromenho Marques (Professor de Filosofia Política na Universidade de Lisboa).

 

Saber mais