Philea Forum 2025 arrancou ao som de Dino D’Santiago

A Fundação Gulbenkian acolhe o Philea Forum 2025, reunião anual da principal associação europeia de filantropia, este ano dedicada ao tema "Power and Equality. A Balancing Act".
03 jun 2025

Na sessão de abertura deste Fórum Philea 2025, foram vários os oradores que abordaram, cada um à sua maneira, o tema deste encontro: Power and Equality. A Balancing Act [Poder e Igualdade. Um ato de equilíbrio].

Antes das boas-vindas, pelo presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, António Feijó, o presidente da Philea, Àngel Font, referiu que “a igualdade é a busca do equilíbrio, da equidade, da justiça e dos direitos” e que “quando as coisas não estão em equilíbrio, cria tensão”.  

E os recentes acontecimentos a nível mundial tornaram mais visíveis essa tensão, proveniente de desigualdades sistémicas e injustiças históricas, o que desencadeou um movimento de reflexão e responsabilização social relativamente à justiça racial, social e económica. E é neste contexto que decorre o Fórum Philea deste ano.   

Pôr a filantropia a pensar 

Com cerca de 850 participantes inscritos, representantes de associações filantrópicas, organizações não governamentais, instituições europeias e multilaterais, think tanks, entre outros, de 44 países, o Forum Philea 2025 pretende não só explorar a relação entre as desigualdades, os desequilíbrios de poder e as estruturas que as sustentam, mas também, como referiu Ángel Font, encontrar “formas de criar maior igualdade, maior equilíbrio”.  

Já Bruno Maçães, ex-Secretário de Estado de Assuntos Europeus, subiu ao palco do Grande Auditório para fazer o paralelismo entre as viagens e a filantropia. “Há muito de viagens na filantropia e muito de filantropia nas viagens. Ambos são descobrir o que foi esquecido e traze-lo de volta do esquecimento”, garante quem, depois de sair do governo, viajou durante meses. “Dizer àquelas pessoas que aqueles lugares são importantes, e que também são o centro do mundo, é também uma espécie de filantropia”. 

Com a vida dedicada ao empoderamento das mulheres, Françoise Moudouthe (diretora executiva do African Women’s Development Fund, fundadora da Plataforma Eyala e membro da Direção da Fundação Malala) deixou três grandes ensinamentos: 1. É preciso “pensar como uma feminista centrada na justiça. A filantropia precisa de repensar a sua ambição”; 2. “é preciso recentrar os movimentos. Quando o objetivo é a justiça, há que centrar-se naqueles que fazem a justiça acontecer. E esses são os movimentos de justiça social” (o que, para a filantropia, significa pensar quem se financia – há que ajudar as pessoas que estão a viver oprimidas a construir uma agenda e a construir a sua própria voz.) E, por último, “Financiar como uma feminista”, o que quer dizer, entre outras coisas, criar estratégias e trabalhar, desde início, com as pessoas beneficiadas”.  

Dino D’Santiago, com uma t-shirt com a inscrição “Free Gaza”, encerrou a sessão de abertura, que contou com outros oradores, como Larry Kramer, presidente da London School of Economics and Political Science, e Marija Jakovljević, Gestora de projetos na Fundação Dalan. 

O Forum Philea realiza-se entre 2 e 5 de junho.  

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