16 Dezembro 2019 Museu Calouste Gulbenkian

Grande exposição de mulheres artistas portuguesas

Assinado protocolo entre a Fundação Gulbenkian e o Ministério da Cultura para a realização de uma exposição em Bruxelas e em Tours durante a Presidência portuguesa da União Europeia.

© Francisco Gomes
© Francisco Gomes

A Fundação Calouste Gulbenkian e o Ministério da Cultura assinaram um protocolo que envolve a realização de uma grande exposição em torno das mulheres artistas portuguesas, por ocasião da Presidência portuguesa da União Europeia. A mostra será apresentada no Bozar, em Bruxelas, no primeiro semestre de 2021, e no segundo semestre seguirá para o Centro de Criação Contemporânea Olivier Debré, na cidade francesa de Tours, no âmbito da “Temporada Cruzada Portugal-França”.

Como referiu a presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Isabel Mota, na cerimónia de assinatura do protocolo, “o tema da exposição está em sintonia com um dos objetivos da política cultural da Fundação e do Museu Calouste Gulbenkian”, lembrando que, desde 2017, “o Museu adotou a paridade de género como uma das suas linhas de trabalho estruturantes”, tendo vindo, a “colmatar o défice de representação de artistas mulheres – bem como de outras minorias”. A presidente da Fundação afirmou, ainda,  ser motivo de “orgulho” e de “grande satisfação” levar a cultura portuguesa para o âmbito internacional, num contexto tão importante como a Presidência portuguesa do Conselho da União Europeia”.

Na sua intervenção, a ministra da Cultura declarou que a programação cultural que acompanhará a Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, no primeiro semestre de 2021, bem como o projeto da Temporada Cruzada Portugal-França 2021/2, constituem “uma oportunidade única para promover a internacionalização da arte e artistas nacionais”. Graça Fonseca referiu que a exposição pretende ser um contributo “para o aprofundamento do projeto europeu e para o reforço de valores centrais à Europa, como a igualdade de género”, afirmando que “numa narrativa de séculos que pertenceu quase exclusivamente aos homens, nunca deixou de haver mulheres que construíram com a sua imaginação e arte, a identidade cultural portuguesa”.

Para comissariar esta exposição foi escolhida Helena de Freitas, historiadora de arte e curadora do Museu Calouste Gulbenkian.

As artistas portuguesas constituem um caso singular de alcance internacional, em particular no confronto com o percurso dos artistas masculinos da mesma geração, na segunda metade do século XX. Este projeto juntará no mesmo espaço artistas portuguesas de referência, como Maria Helena Vieira da Silva, Lourdes Castro, Paula Rego, Ana Vieira, Maria Lamas, Graça Morais, Salette Tavares, Helena Almeida, Joana Vasconcelos, Maria José Oliveira, Ana Jotta e Leonor Antunes, entre várias outras. A exposição será desenvolvida a partir de obras escolhidas destas artistas, dando particular atenção a aspetos mais reservados e mesmo inéditos de algumas delas. 

A seleção será feita a partir de coleções públicas, mas também de coleções particulares e de acervos das artistas, compreendendo obras em suportes distintos como a pintura, a escultura, o desenho, o objeto, o livro, a instalação, o filme, o vídeo e o áudio.