1 abril 2019 Sustentabilidade

Ganhar pontos com o comportamento sustentável

Incentivar os jovens universitários a adotar atitudes benéficas para si e para o ambiente é o que move a Uniloop neste projeto inovador de economia comportamental. A iniciativa é apoiada pela Fundação na sua área da Sustentabilidade.

Manuel Tovar © Márcia Lessa
Manuel Tovar © Márcia Lessa

Manuel Tovar tem 24 anos e é estudante de Direito na Universidade de Coimbra. Em 2015, juntou-se a dois amigos e criou a startup Book in Loop, uma plataforma assente na lógica da economia circular que permite às famílias vender e comprar livros escolares reutilizáveis, poupando mais de 80 por cento do seu valor. A extensão da aplicação ao segmento universitário deu origem à UniLoop, que pretende também, a médio prazo, ajudar os alunos portugueses a poupar nas diferentes despesas que têm de enfrentar no seu dia a dia, desde a alimentação ao lazer.

Em 2018, a participação num projeto de aceleração social financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian foi o ponto de partida para o Uniloop Rewards, um projeto que, com o apoio da Fundação, vai premiar os alunos universitários que adotem comportamentos sustentáveis e saudáveis na sua rotina diária, como a mobilidade partilhada, a atividade física e o consumo responsável.

Segundo Manuel, “a ideia destes princípios de economia comportamental, em especial da nudge theory [teoria do empurrãozinho], é substituir os tradicionais métodos repressivos da política pública, como as proibições, a tributação adicional ou as sanções, pela promoção dos comportamentos positivos”. Assim, à semelhança do que acontece com os tradicionais programas de fidelização de supermercados e restaurantes, que premeiam o consumo, esta aplicação vai oferecer benefícios ao utilizador por cada atitude sustentável tomada, atribuindo pontos que podem ser transferidos para a conta bancária e levantados em dinheiro, ou convertidos noutros benefícios disponibilizados pelas marcas parceiras, como supermercados, restaurantes, ginásios, bibliotecas ou outras empresas ou serviços que fazem parte das rotinas dos estudantes.

“O estudante universitário – que é o público-alvo inicial deste programa – descarrega a aplicação, regista-se, identifica-se através da sua conta Google ou do Facebook e, a partir daí, vai escolher alguns objetivos que as marcas vão disponibilizar”, explica Manuel. “Pode ser consumir mais vegetais do que no mês anterior, pode ser dar mais passos do que ontem…” Além de permitir registar os produtos que consome e serviços que utiliza, com a ajuda das marcas parceiras, a própria aplicação no telemóvel vai fazer um tracking da atividade física do utilizador, contabilizando os passos dados, ou as vezes que se desloca em bicicleta, por exemplo. Além disso, será possível adicionar outros objetivos e desafios, dentro daqueles que as marcas sugerem e disponibilizam, e ainda adicionar amigos e acompanhar a sua evolução. Os pontos ganhos são acumulados em saldo, que pode ser gasto quando o utilizador quiser.

A aplicação será lançada ainda no 2.º trimestre deste ano, numa fase piloto exclusiva para o novo polo da Nova SBE, em Carcavelos. A partir do próximo regresso às aulas, em setembro, o projeto será alargado ao resto do país. “A ambição que temos é depois alargar isto às famílias e restantes portugueses, mas começamos pelos universitários porque são early adopters por natureza, portanto muito mais facilmente aderem a uma nova proposta de valor”, diz Manuel. Além disso, “esta nova geração já está muito sensibilizada para as questões da sustentabilidade” e “há também uma preocupação crescente das marcas portuguesas com isto”, uma vez que “os departamentos de sustentabilidade estão a ganhar importância” e a aposta na economia circular é cada vez maior.