Fundação Gulbenkian e Universidade de Lisboa reforçam inovação na área da água
Num contexto marcado pelo aumento da pressão sobre os recursos hídricos, pela degradação dos ecossistemas e pelos impactos das alterações climáticas, o WISE – Water Innovation, Science and Education propõe uma abordagem sistémica que procura aproximar ciência, inovação, empreendedorismo, setor público e empresas para desenvolver soluções com aplicação prática e potencial de impacto ambiental, económico e social. O projeto dará origem ao Colégio da Água, uma nova plataforma interdisciplinar da Universidade de Lisboa dedicada à investigação, inovação e formação nesta área estratégica.
Coordenado pela Vice-Reitora para a Investigação e Inovação da Universidade de Lisboa, Cecília Rodrigues, o projeto assenta em três eixos fundamentais: o desenvolvimento e validação de soluções inovadoras em ambiente real, a promoção da inovação e do empreendedorismo através de programas de incubação e aceleração, e a formação de estudantes, investigadores e profissionais. As iniciativas apoiadas abrangerão áreas como a gestão sustentável da água, a adaptação a secas e cheias, a recuperação de ecossistemas aquáticos, a economia azul e a aplicação de tecnologias digitais e inteligência artificial à monitorização ambiental.
De acordo com a coordenadora, “Portugal enfrenta hoje pressões sem precedentes sobre os seus recursos hídricos, marinhos e marítimos”, o que exige respostas que “nenhuma disciplina, nenhuma escola e nenhuma instituição consegue dar sozinha”. Na cerimónia de assinatura do protocolo, Cecília Rodrigues sublinha que o WISE nasce precisamente para promover essa abordagem integrada, reforçando a capacidade do país para responder aos desafios da segurança hídrica e da transição climática.
O novo Colégio da Água reunirá investigadores, docentes, estudantes, empresas, entidades públicas e organizações da sociedade civil, mobilizando competências de diferentes áreas do conhecimento para transformar investigação em soluções aplicáveis à sociedade. A iniciativa está alinhada com prioridades nacionais e europeias relacionadas com a resiliência hídrica, a economia azul e a ação climática.
O apoio da Fundação integra um compromisso mais alargado de financiamento à investigação e inovação em universidades portuguesas e resulta da convicção de que a gestão sustentável da água constitui um dos grandes desafios do nosso tempo. Segundo António Feijó, “apoiar o WISE significa apoiar o conhecimento científico orientado a soluções concretas, capazes de gerar impacto para as pessoas, os territórios e os ecossistemas”. Para o Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, “não se trata apenas de apoiar um projeto científico numa universidade de referência; trata-se de contribuir para proteger um bem comum da Humanidade, melhorar as decisões públicas, reforçar o território e proteger as gerações futuras”.
O protocolo foi assinado a 7 de julho, no Pavilhão de Portugal, e contou também com as intervenções de Marisa Lameira da Silva, Diretora-Geral de Política do Mar, Pedro Matos Soares, cientista, investigador e docente na Faculdade de Ciências da UL, Pedro Fontes, Diretor de Tecnologias de Informação Digital da EPAL, e ainda do reitor da Universidade de Lisboa, Luís Ferreira.
Com este apoio, a Fundação reforça o seu compromisso com a equidade e a sustentabilidade, promovendo projetos que transformam conhecimento em respostas concretas para desafios contemporâneos e contribuem para uma sociedade mais sustentável, resiliente e preparada para o futuro.