Fundação Gulbenkian assinala centenário do nascimento de Jorge Vieira

A vida e obra do escultor serão evocadas numa mesa-redonda e numa exposição com documentos do espólio doado à Biblioteca de Arte.
© DR

A exposição apresenta documentos do espólio de Jorge Vieira (1922-1998) e algumas peças do acervo do CAM, entre 12 de outubro e 7 de novembro, no átrio da Biblioteca de Arte, e a mesa-redonda reúne os historiadores de arte Pedro Lapa e Leonor Oliveira, o escultor Rui Chafes e a jornalista Ana Sousa Dias no dia 25 de outubro, às 18:30, no Auditório 3 da Fundação.

Recorde-se que o espólio documental de Jorge Vieira, composto por um diversificado conjunto de documentos que testemunham o percurso artístico e pedagógico do escultor, passou a integrar o acervo da Biblioteca de Arte em 2021, por doação da sua viúva,  a escultora Noémia Cruz.

O centenário do nascimento do escultor servirá agora de pretexto para assinalar esta doação, que incluiu livros, catálogos, folhetos de exposições, recortes de imprensa, correspondência, esboços e desenhos, e ainda maquetes em gesso e metal para obras. O estudo deste espólio permitirá uma melhor contextualização do percurso do escultor no panorama artístico nacional e internacional, uma vez que Jorge Vieira estudou na Slade School of Arts, em Londres, na década de 1950.

Com esta integração no acervo, juntando-se ao Arquivo Alberto Carneiro e aos espólios de Fernando Calhau, Helena Almeida e David de Almeida, a Biblioteca de Arte consolida-se como instituição de referência para o estudo e a compreensão da produção artística nacional entre a segunda metade do século 20 e primeiras décadas do presente século.

 

Nota biográfica

Jorge Vieira (1922-1998) fez a sua formação artística inicial na ESBAL, onde se formou em Escultura (1953). Nos seus anos de aprendizagem passou pelos ateliês dos escultores António Duarte, Francisco Franco e António Rocha. Ainda estudante, participou nas Exposições Gerais de Artes Plásticas (1947 e 1951), organizadas pelo MUD em oposição aos salões oficiais do regime.  Em 1953, foi o único escultor português a ser selecionado no concurso internacional para o monumento ao “Unknwon Political Prisioner” (Prisioneiro Político Desconhecido) promovido pelo londrino Institute of Contemporary Arts. Entre 1954 e 1955 estudou em Londres, na Slade School of Arts, onde conheceu o escultor Henry Moore. Obteve o 2º prémio de Escultura na I Exposição de Artes Plásticas da FCG (1957) e o 1º prémio na II (1961). As suas posições políticas de oposição ao Estado Novo granjearam-lhe dificuldades várias, tendo sido excluído da docência na ESBAL, onde só regressou a partir de 1981, tendo-se jubilado em 1992. Ao longo da sua prática, o desenho, a colagem e a escultura – em materiais plasticamente diversos como a terracota e o ferro – constituíram o corpo da obra artística de Jorge Vieira. Entre as suas diversas obras em espaço público, refira-se o “Homem-sol” no Parque das Nações, inaugurada no âmbito da Expo98.

Atualização em 12 outubro 2022

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