Fundação Gulbenkian apoia projetos sobre cultura arménia
A Arménia mostra-se na 19.ª Bienal de Arquitetura de Veneza com um pavilhão dedicado à “Microarquitectura através da IA: criar novas memórias com monumentos antigos”. O projeto, nascido da colaboração entre a Fundação Calouste Gulbenkian e o centro de tecnologias criativas TUMO, na Arménia, vai explorar o papel evolutivo da inteligência artificial na preservação do património cultural e como via para novas formas de expressão.
Esta é uma das faces visíveis do apoio da Fundação Calouste Gulbenkian à preservação e promoção da língua e da cultura arménias, dentro daquele país, mas também junto da diáspora.
Outro exemplo deste apoio é o Book and Thought, através do qual o Institute of Public Policy, na Arménia, quer promover o pensamento crítico através de debates sobre um conjunto de livros traduzidos, nos últimos anos, para a língua arménia, e o seu impacto no pensamento sócio político e cultural na população local. Estes debates serão divulgados através de uma série de 36 vídeos disponíveis através de podcasts. Ainda na área das tecnologias, refira-se outra iniciativa: “Hi Haleb” é um projeto de “história oral” que propõe criar um website para acolher entrevistas filmadas, fotografias e outros conteúdos sobre a comunidade arménia em Alepo, que se encontra atualmente sob grave ameaça.
Mas há muitas outras iniciativas apoiadas. Na área da investigação, destaque-se a criação de um grupo de investigação de jovens académicos no Instituto Leibniz para a História e Cultura da Europa Oriental da Universidade de Leipzig (o qual se deverá tornar o principal centro de investigação de Estudos Arménios na Alemanha): a Fundação Gulbenkian financiará duas bolsas de doutoramento para investigação de temas arménios contemporâneos; outras duas bolsas serão financiadas pelo próprio Instituto ou por fontes externas. O Programa de Mestrado Internacional em Estudos Arménios do INALCO (Institut national des langues et civilisations orientales) também está a ser apoiado, durante três anos, para aumentar a sua capacidade de investigação e ensino através do convite para que professores visitantes permaneçam naquela instituição ao longo de um mês.
Juntam-se aos novos projetos as iniciativas com parceiros já existentes. É o caso da Vlume, que terá um apoio para a produção de 84 novas publicações em língua arménia para leitores mais jovens, os quais se vêm juntar aos livros áudio e eletrónicos para leitores adultos.
Zarmanazan, Yertik, Oos Hartag e a aplicação KardDes da Fundação Hrant Dink são, por fim, algumas iniciativas que continuam a ser apoiadas pela Fundação Gulbenkian.
Embora a maior parte das atividades se desenvolva fora de Portugal, a Fundação Gulbenkian também apoia iniciativas que, em Portugal, dão destaque à cultura e à história arménias. São exemplo disso o ciclo de filmes de Sergei Parajanov na Cinemateca Portuguesa ou a tradução para português da epopeia popular arménia David de Sassoun, por um jovem académico local que aprendeu a língua arménia através de cursos no IL-Nova, também apoiados pela Gulbenkian.
Segundo António Feijó, presidente da Fundação Gulbenkian, “O Serviço das Comunidades Arménias, cujas raízes remontam à criação da Fundação, em 1956, está intimamente ligado ao espírito do Fundador, pela conexão à sua cultura, à sua filantropia e à sua visão internacional. O apoio a estes projetos é uma manifestação do compromisso de longo prazo que queremos reforçar com a diáspora arménia, em todo o mundo, e com a Arménia.”
Os projetos são recebidos numa base contínua e são avaliados três vezes por ano. Em janeiro, foram avaliados 125 projetos, 32 dos quais foram selecionados para financiamento.
Nas próximas semanas, a Fundação tem prevista a análise de candidaturas com vista à aprovação de até 10 bolsas de cultura arménia contemporânea, submetidas no âmbito do programa Art Yevs. Está também a ser desenvolvida uma nova iniciativa de investigação, provisoriamente designada por Centro de Investigação da Diáspora Arménia, dedicada aos desafios enfrentados pela Diáspora, bem como pela Arménia. Como afirmou António Feijó, “é importante não só preservar a cultura, mas também revitalizá-la e promover a criação de uma nova cultura. Do mesmo modo, paralelamente ao apoio à investigação original, a Fundação esforça-se ainda por promover o pensamento crítico e a sua divulgação”.
No seguimento da saída antecipada do administrador Martin Essayan, que passou à reforma, em 2024, o Serviço das Comunidades Arménias passou a ser tutelado diretamente pelo Presidente da Fundação, António Feijó.