Espólios de arquitetura e artes visuais em digitalização

A Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian e os Arquivos Gulbenkian vão iniciar um novo programa de digitalização de coleções patrimoniais, que vai permitir ao público, num futuro próximo, aceder online a um conjunto alargado de documentos de vários espólios do acervo da Biblioteca de Arte.

Entre os materiais a disponibilizar contam-se, no âmbito da arquitetura, o espólio do arquiteto Manuel Tainha (1922-2012), os 37 projetos do arquiteto Álvaro Siza Vieira (n. 1933) doados à Fundação Calouste Gulbenkian em 2015, um conjunto de documentação escrita do arquiteto Carlos Ramos (1897-1969) e o espólio do arquiteto paisagista Júlio Moreira (n.1930). No campo das artes visuais e do design será disponibilizado o espólio do artista alemão Hein Semke (1899-1995), um conjunto de documentação fotográfica reunida em torno da exposição “Daciano da Costa Designer”, realizada pela Fundação Calouste Gulbenkian em 2001, que abrange a atividade do ateliê de Daciano da Costa (1930-2005) nas áreas da arquitectura de interiores, design de mobiliário, design industrial, de exposições, gráfico, cenografia e figurinos. Serão ainda digitalizados e disponibilizados os documentos que compõem o espólio dos historiadores de arte Luís Reis Santos (1898-1967) e Robert Chester Smith (1912-1975).

Com uma duração de 3 anos e envolvendo uma verba de 672 mil euros, este projeto vai ainda viabilizar a digitalização de importantes coleções de fotografia dos extintos serviços de Belas Artes e Internacional da Fundação Calouste Gulbenkian, que integram agora os Arquivos Gulbenkian.

Esta ação enquadra-se na participação da Fundação Gulbenkian numa infraestrutura portuguesa de investigação para as Ciências Sociais, Artes e Humanidades com o nome “ROSSIO”, promovida por um consórcio coordenado pela Universidade Nova de Lisboa. A principal missão desta infraestrutura de investigação é agregar, organizar, interligar, contextualizar, enriquecer e difundir um universo ímpar de conteúdos digitais provenientes das atividades de investigação, repositórios, arquivos, bibliotecas, coleções de arte e bancos de dados pertencentes a um conjunto de instituições de referência reunidas em consórcio para realizar um plano de ação comum. O projeto “ROSSIO” viu recentemente ser aprovado um financiamento de cerca de 3 milhões de euros, no quadro do Programa Operacional Regional de Lisboa (Portugal 2020).

Para além da Fundação Calouste Gulbenkian, no projeto ROSSIO participam a Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema, a Direção-Geral do Património Cultural, a Fundação Mário Soares, a Câmara Municipal de Lisboa, e o Teatro Nacional D. Maria II, instituições que irão disponibilizar um conjunto de fontes e recursos para a investigação em Ciências Sociais, Artes e Humanidades representativos da riqueza, do património cultural, da diversidade e da história da sociedade portuguesa.