Escultura em filme

Exposição The Very Impress of the Object

Esta exposição explora o surpreendente fascínio que a escultura antiga tem vindo exercer sobre a arte contemporânea, sobretudo na área do filme. Sete artistas internacionais foram convidados a apresentar obras que testemunham este interesse, muitas das quais filmadas em museus europeus ou nos seus espaços de reservas.

A artista Rosa Barba explorou precisamente as reservas dos Museus Capitolinos, em Roma, localizadas nos subúrbios da cidade, uma zona sem visitantes nem qualquer informação relativa às peças. Este espaço é notável pela sua luminosidade e Barba usa a luz como forma de ativar a escultura, trazendo-a de volta à vida. A sensação de imobilidade é um aspeto notável do seu filme, que parece permitir verdadeiramente que as esculturas recuperem a sua aura após um descanso prolongado.

A obra de Fiona Tan deteve-se num museu que se assemelha, ele próprio, a uma reserva: o Sir John Soane’s Museum, em Londres. A singularidade deste filme reside no modo como a artista torna a escultura pictórica. O título, Inventory, remete não apenas para a variedade da coleção deste museu, como também para a própria multiplicidade de câmaras usadas por Tan – leves ou pesadas, fixas ou móveis –, que dão origem a olhares distintos sobre as esculturas. Os olhares das câmaras são, em geral, mais prolongados do que o olhar dos visitantes, oferecendo mais tempo de fruição.

Em contraste com as esculturas filmadas por Rosa Barba e Fiona Tan, o filme de Mark Lewis foi realizado no Museu do Louvre e centra-se numa obra famosa, Hermafrodita Adormecido, exigindo que o observador circule completamente à sua volta. Trata-se de um exercício de contemplação, em que, tal como noutros trabalhos do artista, a câmara parece andar à procura de algo, como se tentasse encontrar o seu devido lugar. De todos os artistas aqui apresentados, o seu olhar é, talvez, o mais “escultural” sobre a escultura.

O projeto da dupla Lonnie van Brummelen & Siebren de Haan incidiu sobre o friso de Pérgamo do Pergamonmuseum, em Berlim. Os artistas tiveram no entanto de encontrar outras formas de o representar, por lhes ter sido interdita a possibilidade de o filmar. Essa proibição permitiu-lhes encontrar o tema da sua obra, que reside na história diversificada da sua reprodução, e na questão da propriedade dessas imagens. Ao procurarem uma reprodução completa (a qual só era possível em diferentes escalas), os artistas revelam as várias formas como esta peça foi documentada ao longo do tempo com diferentes iluminações, câmaras e coloração.

Finalmente, a obra de Anja Kirschner & David Panos, Ultimate Substance, reflete sobre as origens dos artistas, alemã e grega, e sobre a relação entre os seus dois países durante a crise financeira de 2008. As circunstâncias do momento, combinadas com um interesse prolongado sobre questões relativas ao valor e à troca, levaram-nos a entender a Acrópole como sendo o banco em relação ao Lavrio, a mina a 40 quilómetros de Atenas que fornecia o metal precioso para a cunhagem. A outra alusão clássica trazida pela mina é a da caverna, tal como descrita por Platão no livro VII de A República, onde os prisioneiros tomam as sombras projetadas nas paredes pela realidade.

 

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