Desde que me lembro que sinto a dança a chamar por mim

Entrevista a Orlando Rosado
02 fev 2015

Orlando Rosado nasceu em Moura, uma pequena cidade do interior alentejano. Aos seis anos, começou a frequentar as aulas de dança do Centro Recreativo de Música local e aos 12 anos chegou a Lisboa, após ter passado na audição para entrar na Escola de Dança do Conservatório Nacional. Venceu receios e dificuldades, e foi vivendo um sonho. Em 2011, depois de um curso de verão em Nova Iorque foi convidado para a Bolshoi Ballet Academy em Moscovo, onde se encontra atualmente.

 

Como é que a dança aparece na vida de um jovem em Moura?

Sempre gostei muito de dançar e havia um pequeno grupo de dança em Moura onde me inscrevi com seis anos. Comecei a frequentar as aulas e a atuar nos espetáculos que se realizavam anualmente. Com o tempo, a minha mãe percebeu que eu levava a dança muito a sério e perguntou‑ -me se queria ir para Lisboa.

Como foi ser bailarino fora de uma grande cidade?

Não foi nada fácil. Em Moura era o único rapaz a dançar e havia muitas pessoas preconceituosas que me julgavam. Mas sempre tive o apoio da minha família, o que tornou tudo mais fácil. Quando fui para Lisboa, notei muita diferença nas mentalidades.

Como correu a mudança para a Escola de Dança do Conservatório Nacional?

No início foi muito difícil, chorava muito com saudades de casa. Tive de me habituar a uma cidade grande, fazer novos amigos, viver com uma nova família, porque fui viver com uma família de acolhimento, mas, passado um ano, já tinha um bom grupo de amigos com quem mantenho contacto ainda hoje. Cresci muito e tornei-me muito mais responsável. Foi uma experiência muito positiva.

Depois de ter feito um curso de verão em Nova Iorque, surgiu o convite para ingressar, a tempo inteiro, na Bolshoi Ballet Academy em Moscovo. Como recebeu esta notícia?

Em Nova Iorque tive um professor do Bolshoi que me dava alguma atenção, mas nunca imaginei que me iriam convidar, tinha apenas 15 anos. Em meados de agosto, recebi um email do Bolshoi mas, como o meu inglês não era muito bom, enviei para a minha irmã que estuda em Londres e ela é que me deu a notícia de que a escola gostaria que eu fosse para lá no ano letivo que ia começar. Era um convite que trazia muita responsabilidade e fiquei de “coração apertado” por deixar a família novamente, viver num país totalmente desconhecido, com uma língua que nunca tinha ouvido, e por ter que fazer novos amigos. No entanto, a vontade de concretizar um sonho falou mais alto e quando os meus pais me perguntaram se queria ir não hesitei em dizer que sim.

Como é viver em Moscovo?

É diferente. Tenho receio de falar a minha língua na rua porque me olham de lado e quase ninguém fala inglês, ao contrário de São Petersburgo, onde os estrangeiros são muito mais aceites. Por outro lado, a arte em Moscovo é muito mais valorizada do que em Portugal. Os museus e os espetáculos têm sempre filas para entrar e o público é muito jovem.

Onde o vamos ver daqui a 20 anos?

Se for convidado para ficar na Bolshoi ou noutra companhia russa talvez diga que sim, mas não gostava de ficar na Rússia, quatro anos foram suficientes. Gostava de ir para a Europa Central ou América, são sítios onde as oportunidades na dança estão a crescer.

 

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