Cinco novos projetos de investigação clínica apoiados em Cabo Verde e Moçambique

Os projetos vão receber cerca de 900 mil euros durante três anos para reforçar a qualidade e a equidade na prestação de cuidados de saúde.
19 dez 2025

Selecionados por um júri independente no âmbito do concurso +Investigação, destinado a investigadores dos PALOP, os projetos abrangem áreas como infeções bacterianas, resistência aos antibióticos, diagnóstico de doenças hematológicas graves e diagnóstico precoce de insuficiência cardíaca.

Em Cabo Verde, o projeto PREPARA-M.CV, da investigadora Isabel Araújo, da Universidade de Cabo Verde, procura melhorar práticas de prescrição de antibióticos em pediatria através de testes rápidos, vigilância molecular e formação de clínicos, contribuindo para reduzir a resistência antimicrobiana e elevar a qualidade dos cuidados pediátricos. Por seu lado, o projeto HemaPro-CV, liderado por Pamela Borges, do Hospital Agostinho Neto, pretende implementar uma plataforma integrada de diagnóstico hematopatológico com testes moleculares e técnicas como a citometria de fluxo para leucemias e linfomas, de forma a reduzir tempos de resposta e permitir terapias direcionadas.

Em Moçambique, o investigador Celso Khosa vai conduzir o projeto SToP NGS TB, no Instituto Nacional de Saúde, apostando no diagnóstico rápido para a tuberculose resistente, permitindo iniciar precocemente tratamentos adequados e reduzir a transmissão e mortalidade. Já a investigadora Tacilta Nhampossa, da Fundação Manhiça, vai caracterizar o microbioma vaginal em mulheres moçambicanas para avaliar a associação com vaginose bacteriana, infeções sexualmente transmissíveis e parto prematuro, prevenindo complicações obstétricas e melhorando a saúde materno-infantil. Finalmente, o projeto liderado por Albertino Damasceno, da Faculdade de Medicina da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, propõe o uso de ecocardiografia e ECG assistidos por inteligência artificial em cuidados primários para o diagnóstico precoce de insuficiência cardíaca, facilitando o acesso em contextos de poucos recursos.

Com esta iniciativa, a Fundação Calouste Gulbenkian pretende contribuir para reforçar o conhecimento científico, capacitar as instituições de investigação e de saúde, fomentar parcerias nacionais e internacionais e integrar investigadores dos PALOP em redes globais, contribuindo para a melhoria da prestação de cuidados de saúde nestes países.

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