Centros de Estudo Gulbenkian querem combater desigualdades educativas
Três bairros emblemáticos da Grande Lisboa – Bairro Padre Cruz, Bairro do Zambujal e Vale da Amoreira – vão acolher os primeiros Centros de Estudo Gulbenkian. A iniciativa, que procura promover a igualdade de oportunidades por meio da melhoria das condições de aprendizagem, vai envolver 90 crianças e jovens do 4.º ao 12.º ano de escolaridade, com potencial para novos patamares de resultados escolares e motivação para melhorar o seu desempenho escolar e atingir resultados de mérito que lhes abram novas perspetivas académicas e profissionais.
Estes Centros de Estudo vão apoiar os alunos considerados “invisíveis” – crianças e jovens que não são abrangidos por medidas adicionais de apoio ao estudo na escola por não estarem em condições de reprovação, nem são captados por programas de promoção do mérito; alunos que precisam de apoio suplementar para obter resultados escolares mais positivos.
A intervenção incorpora várias abordagens. Antes de mais, as explicações a português, matemática e, como fator diferenciador no seu futuro profissional, o inglês. As explicações serão dadas, em pequenos grupos, por professores com experiência de lecionação e conhecimento dos currículos nacionais.
Complementarmente, procurará reforçar-se as relações escola-família-comunidade, estabelecendo as pontes necessárias para melhor detetar e corrigir comportamentos de risco e criar o ambiente adequado para a melhoria do sucesso escolar.
Será também desenvolvido um programa de mentoria, conectando os jovens com modelos de referência, nomeadamente Bolseiros Gulbenkian como João Bento, CEO dos CTT, o economista José Carlos Mateus, CFO do Montepio, o jornalista Pedro Sousa Carvalho, ou o escritor José Vegar.
Por fim, organizando atividades culturais e de descoberta que levem as crianças e jovens a alargar os seus horizontes, fora da sua área de residência.
Porquê esta intervenção?
Segundo a OCDE, cerca de 40% dos adultos, em Portugal, tem dificuldades em compreender textos simples e resolver problemas de aritmética básica. Nos bairros-alvo, as taxas de insucesso e de abandono escolar são superiores à média nacional. Além disso, muitas famílias, nestes territórios, acrescem, ao seu quadro de fragilidades socioeconómicas, dificuldades no acompanhamento escolar dos filhos, no apoio às aprendizagens e aos trabalhos de casa, e fraca valorização da escola, da aprendizagem e da leitura. Os Centros de Estudo Gulbenkian surgem para alterar esta realidade, garantindo apoio especializado, acompanhamento próximo e estímulo à ambição académica, mostrando que nesses territórios há potencial a ser explorado.
Para levar este projeto à prática, a Fundação Calouste Gulbenkian conta com o envolvimento de três parceiros locais, com experiência em cada um dos territórios:
Associação Nacional de Futebol de Rua (Bairro Padre Cruz, Lisboa)
O Bairro Padre Cruz é o maior bairro de habitação social de Lisboa. O grau de escolaridade dos seus habitantes é baixo: 64% da população tem apenas o ensino básico completo; 15% o ensino secundário; só 3,2% dos moradores concluem o ensino superior.
Criada em 2007, esta associação utiliza o desporto, em particular o futebol de rua, para promover a mudança social, o desenvolvimento humano e a inclusão social.
Cooperativa Cooperactiva (Bairro do Zambujal, Amadora)
O bairro do Zambujal é um dos maiores bairros de realojamento social da Grande Lisboa, sendo conhecido pela sua multiculturalidade.
Há 20 anos que se foca na intervenção comunitária, inclusão social e apoio a crianças, jovens e famílias em situação de vulnerabilidade, nomeadamente através de atividades para diminuir o insucesso escolar, promovendo competências pessoais e sociais e acesso a cultura e desporto.
CRIVA (Vale da Amoreira, Moita)
O Vale da Amoreira é conhecido por enfrentar problemas sociais como o desemprego, a estigmatização e a exclusão social, especialmente entre os imigrantes de 2ª geração. O agrupamento escolar da Baixa da Banheira e Vale da Amoreira tem registado uma taxa de insucesso e abandono escolar superior ao dobro da média nacional.
Com 40 anos de existência, o CRIVA tem respondido, ao longo dos anos, a várias necessidades da comunidade.