António Feijó é o novo Presidente da Fundação Gulbenkian

António Feijó assumiu hoje o cargo de Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian. Administrador não executivo desde 2018, é o primeiro homem de Letras e Humanidades no cargo, sucedendo a Isabel Mota.
©Márcia Lessa

Perante um auditório cheio e emocionado com as palavras de despedida de Isabel Mota, o novo presidente dirigiu as suas primeiras palavras aos colaboradores da casa que passa hoje a liderar. Destacando a nostalgia deixada pelo “brilho do acontecimento ou da iniciativa de que se guarda memória”, relevou que “sob o brilho dessa atividade da Fundação, esconde-se a atuação profissional dos seus colaboradores. Esse profissionalismo essencialmente discreto, tão discreto que nem mesmo pretende ser percebido como discreto, não deixa de ser percetível.” Este é, disse, um traço “de uma cultura interna ativa e assiduamente criada ao longo de décadas.”

Ao longo de 20 minutos, percorreu a história da Fundação, que começou num “contexto de vazio”; se tornou num “Ministério da Cultura oficioso de um país em grande parte desprovido de estruturas nesse domínio”; persistiu, como “instituição cujo oxigénio é a liberdade”, ao regime totalitário; assistiu à mudança de regime e à “tentativa de usurpação de que a Fundação foi alvo”. Percorreu a história, com “exemplos de uma relação difícil, com um contexto adverso”, para destacar a “necessidade de a Fundação persistir autónoma em tudo o que decide e faz, de se manter separada de todos os poderes”.

Enunciado os quatro fins estatutários originais – Arte, Ciência, Educação e Beneficência – deu conta dos três eixos estratégicos que os têm espelhado no plano de atividades que este ano termina: Conhecimento, Coesão Social e Sustentabilidade. “Outros se lhe sucederão, porventura mais económicos e determinados pelo que então for tido por mais adequada resposta às pressões da conjuntura.”

 

A Fundação é, para o novo Presidente, “uma instituição filantrópica que acolhe um legado deixado por uma personalidade de uma dimensão maior e rara, no seu tempo e no seu século, Calouste Sarkis Gulbenkian. Estatutariamente definida como perpétua, impõe a quem de momento a dirija o dever de procurar assegurar esse fim, de proteger a integridade desse legado.” Sobre a questão da perpetuidade, cujo debate é extenso e complexo, António Feijó considera “importante reter a perpetuidade da Fundação como horizonte de toda e qualquer decisão maior que os seus responsáveis fiduciários tomem. Tem sido aliás esse o caso. A perpetuidade da Fundação tem sido assegurada pela gestão prudente do seu património.”

Mas há “outra posição de princípio que se impõe: a de que nenhuma instituição filantrópica alguma vez dispõe dos recursos necessários à sua atividade. Os fins que visa são inesgotáveis e sempre abertos.”

Chegaria o tempo de “alguém ligado à Cultura e às Humanidades assumir a presidência da Fundação.” Professor Catedrático do Departamento de Estudos Anglísticos e do Programa em Teoria da Literatura, António Feijó considera que, “a admitir-se alguma singularidade na formação em Humanidades [do novo Presidente], talvez ela consista numa relativa desenvoltura no uso de certas alusões ou referências”. E, referindo-se à “capacidade profética que certas obras literárias”, conclui, referindo-se a um romance dos finais do séc. XIX, do autor norte-americano Henry James. Nele se descreve “como uma jovem mulher do mais exclusivo círculo social de Boston se torna vítima de um casamento com um esteta muito elegante e cruel e, de facto, moralmente corrupto”. A jovem é a dado passo descrita, por um admirador, como sendo um espírito singularmente livre. Tão livre “que ninguém poderá ficar surpreendido se ela vier a exoticamente casar-se com um arménio ou um português. Ora como todos sabemos, uma aliança análoga veio na realidade, de outro modo, e não muitas décadas depois, a ter lugar. O resultado, há que reconhecê-lo, foi profundamente beneficente, esplêndido e rico, e tem grandeza.”

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Veja os discursos

Isabel Mota

António Feijó

 


Atualização em 07 maio 2022

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