«A Arte na Mudança» entre vizinhos

Os alunos produziram peças artísticas com a utilização de materiais disponíveis nas suas casas e no seu acervo pessoal

O projeto “Entre Vizinhos”, do Serviço Educativo do Museu Calouste Gulbenkian criado em 2017, destina-se à comunidade sénior da freguesia das Avenidas Novas, com o propósito de fortalecer os laços de vizinhança entre o Museu e esta comunidade, procurando envolver esta população com o espaço da Fundação, promover o bem-estar e a aprendizagem ao longo da vida, combater o isolamento e fortalecer os hábitos culturais da comunidade local sénior.

Em 2019, juntou-se um novo grupo ao projeto – a Academia Sénior da Junta de Freguesia das Avenidas Novas. Em 2020, num ano marcado pela pandemia de Covid-19, o projeto reinventou-se e adaptou-se ao formato digital tentando responder aos desafios e constrangimentos que a pandemia impunha. A Academia Sénior não desistiu e ao longo do ano letivo de 2020-2021 trabalhou, por meio da disciplina de Relações Humanas, conceitos como arte e emoções num ciclo de aulas online oferecendo aos alunos novas perspetivas de futuro e esperança, em tempos de tanta incerteza.

Este ciclo intitulado «A Arte na Mudança» consistiu em aulas online, em que os alunos da disciplina de Relações Humanas interagiam com a equipa do Serviço Educativo do Museu, como também, com artistas convidados explorando algumas obras do Centro de Arte Moderna, e trabalhando o conceito do Museu como um espaço de mudança.

Os artistas convidados ─ Aldara Bizarro, Ana João Romana, Fernando Mota, Omid Bahrami, Marc Parchow, Margarida Botelho, Margarida Mestre e Sofia Cabrita ─ contribuíram para fortalecer o diálogo e a partilha sobre a importância e o sentido da mudança no processo criativo, e a cocriação da obra de arte.

Esta experiência beneficiou e contribuiu para a solidariedade intergeracional, para o despertar de novas capacidades, para o bem-estar psicológico, e para uma maior autonomia nas respostas e adaptações às constantes mudanças que os seniores enfrentam.

Com os trabalhos que apresentei ao longo dos meses, as gavetas onde guardava os meus obstáculos, a pouca tolerância que tinha para comigo, a imaginação que pensava não ter e a baixa confiança em mim, abriram-se e ajudaram-me a dissipar esses pensamentos menos bons que tinha a meu respeito.
Não foi fácil o caminho, pois sentia uma enorme responsabilidade cada vez que executava o trabalho dos desafios propostos. A pergunta que fazia a mim própria era: “O quê é que eu vou apresentar”, “não tenho qualquer ideia”, “não vou ser capaz”. A ansiedade e o stress acabavam sempre por ajudar à minha “criatividade”. Esta experiência ajudou-me a mudar a forma como olho para mim.

Testemunho de uma das alunas da disciplina de Relações Humanas

E ao longo desta experiência e a partir de obras do Centro de Arte Moderna, os alunos produziram peças artísticas com a utilização de materiais disponíveis nas suas casas e no seu acervo pessoal, representando as dimensões estética, emocional e intelectual dos processos de mudança que experienciaram pessoalmente nas várias fases da pandemia.

E como resultado deste ciclo de aulas online e espaço de diálogo, a Academia Sénior das Avenidas Novas apresenta a exposição virtual «A Arte na Mudança» ─ uma coleção dos trabalhos artísticos dos alunos da disciplina de Relações Humanas. 

Ver exposição