Baby Doll

Beethoven / YOM

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Grande Auditório Fundação Calouste Gulbenkian

A partir da Sinfonia n.º 7 de Beethoven, a encenadora francesa Marie-Eve Signeyrole, que em 2017 apresentou na Gulbenkian Música a memorável produção O Monstro no Labirinto, criou agora um novo espetáculo transdisciplinar de enorme fôlego artístico. Baby Doll é uma intensa experiência musical e coreográfica que junta a música de Beethoven, interpretada pela Orquestra Gulbenkian, a apontamentos do clarinetista e compositor Yom. No palco desfia-se uma ficção documental baseada em histórias reais relativas à crise migratória dos nossos dias. Uma proposta que traz a atualidade para o centro do discurso musical, não deixando que os palcos se alheiem dos problemas que ocupam o mundo.


VÍDEO

 


Programa

Orquestra Gulbenkian
Álvaro Albiach Maestro

Yom Quartet
Yom 
Clarinete / Composição
Léo Jassef Piano
Régis Huby Violino / Efeitos
Maxime Zampieri Bombo / Percussões

Marie-Eve Signeyrole Conceção / Libreto / Encenação / Cenografia / Vídeo
Johanna Faye Colaboradora para a movimentação
Laurent La Rosa Colaborador artístico para o vídeo

Maria Mira Performer
Stencia Yambogaza Performer
Tarek Aït Meddour Performer

Benoît Probst – artOh Direção técnica e Assistência de cenografia
Simon Frezel Vídeo
Claire Willemann Operadora de câmara / Videasta
David Garniel Desenho de Luz
Julien Schwaller Pesquisa
Cécile Moulin e Clarisse Chenu Cenários e Adereços

Joana Cornelsen Maquilhagem e Cabelos
Bárbara Magalhães Assistência ao guarda-roupa

Baby Doll
Música: Sinfonia n.º 7, em Lá maior, op. 92, de Ludwig van Beethoven / Interlúdios de Yom

Título
Baby Doll é um trabalho de ficção documental. O título é uma referência ao filme de Ellia Kazan que nos conta a história e o destino de uma jovem mulher de 19 anos.

Temática
Rehan Kurdi. Morreu por afogamento a 2 de setembro de 2015 quando tentava chegar à ilha grega de Cós. Aylan é o primeiro nome do seu filho, encontrado de bruços na areia da praia. Foi esta fotografia que tornou “famosa” a tragédia desta mãe, tal como a de muitos migrantes que inundam as profundezas do nosso Mediterrâneo.  Quem são essas mulheres que, para fugirem à guerra e chegarem à Europa, desafiam o mar, os muros e o arame farpado, de camião ou de barco, com os filhos nos braços ou nos seus ventres e cujas vozes não ouvimos?

Hourria, uma jovem mulher de 19 anos de idade, da Eritreia, forçada a casar aos 14, viúva… conseguiu chegar a Paris com a sua filha de quatro anos. Escolhi o seu primeiro nome para fazer ouvir as vozes de Aya, Zebida, Asma, Houria, Rehan, Nawal… Milhares de mulheres sírias, sudanesas, eritreias, afegãs, violadas nas fonteiras entre a Turquia e a Síria e entre a Macedónia e a Grécia. Perseguidas pelos traficantes, os “protetores” nos campos de refugiados na Turquia, nos sórdidos hotéis de Cós ou nos campos ilegais de França onde a insegurança é permanente.  Hourria, para contar a história destas migrantes em busca de asilo, em abrigos precários, aterrorizadas e sob o controle de homens, e que só falam de cara tapada.

Doze por cento das mulheres que conseguem alcançar a Europa estão grávidas. Já estariam grávidas antes de partir ou foram violadas no caminho?... Uma coisa é certa: a gravidez protege um grande número de migrantes do abuso sexual perpetrado pelos homens em cada momento da sua odisseia.

Abordagem
Para interpretar esta personagem escolhi uma mulher negra, bailarina, atriz e performer. Um homem interpreta todos os outros personagens que ela encontra ao longo da viagem. Imaginei que Hourria, no trajeto até à Europa, levaria a sua boneca e que a esconderia sob a roupa para enganar os homens e fazer com que as pessoas acreditassem que estava grávida. É através do filtro da boneca que contamos a história desta mulher cujas palavras são frequentemente sussurradas, na verdade inaudíveis ou incompreensíveis em função da barreira entre as línguas.

A história que nos será contada é aquela que Hourria conta à sua boneca, à beira das fogueiras de vigília dos acampamentos improvisados. É a boneca que nos conta a história ou será que é a própria Hourria? Todos os encontros felizes ou infelizes que lhe acontecem serão vistos pelo prisma da sua companheira de odisseia. Esta terceira “pessoa” permite-nos criar um mundo onde a ficção e realidade se misturam sem trair a história destas mulheres.

Escolhemos dar-lhe um rosto, dar-lhe uma voz, emprestar-lhe a Sétima Sinfonia de Beethoven como um berço de eterno descanso. Um texto inspirado numa recolha de testemunhos de refugiados acompanha a sinfonia, por escrito e oralmente. A música de Yom, e do seu ensemble, pontua os quatro andamentos da Sétima Sinfonia de Beethoven, dando corpo a um encontro improvável de culturas musicais.

Marie-Eve Signeyrole

 

Produção delegada: Orchestre de chambre de Paris
Coproduções: Orchestre de chambre de Paris, Philharmonie de Paris Cité Musicale-Metz, Auditorium, Orchestre national de Lyon, Opéra Orchestre national Montpellier Occitanie, Opéra de Rouen Normandie, Fundação Calouste Gulbenkian

A Fundação Calouste Gulbenkian agradece a colaboração da Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo e do Alto Comissariado para as Migrações.

Mecenas Principal Gulbenkian Música

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