1 Julho 2020 Parcerias para o Desenvolvimento

Mais condições de saúde materna e neonatal em Angola

Manuela Mendes, diretora da Maternidade Lucrécia Paim

A Fundação Calouste Gulbenkian doou dez novas incubadoras à Maternidade Lucrécia Paim, em Luanda, contribuindo para melhorar as condições de assistência ao recém-nascido e reduzir a taxa de mortalidade neonatal.

O projeto da Fundação Gulbenkian de apoio à saúde materna e neonatal, com a parceria técnica da Sociedade Portuguesa de Neonatologia, decorre há quase dois anos com a maior maternidade angolana, a Maternidade Lucrécia Paim, apostando na formação de profissionais nos cuidados especiais dos recém-nascidos e na compra e reparação de equipamentos.

As dez novas incubadoras agora doadas juntam-se a oito reparadas pelo SUCH – Serviço de Utilização Comum dos Hospitais, um ventilador e um aparelho de gasometria, entregues no ano passado no âmbito deste projeto. Neste momento, a maternidade conta com 30 incubadoras.

De acordo com Maria Manuela Mendes, diretora da maternidade, com a chegada das incubadoras foi “colmatada uma grande brecha. Tínhamos muito poucas e a necessidade era muita. São muito bem-vindas”.

A diretora considera que a parceria com a Fundação Gulbenkian tem sido muito benéfica e permitido até o “despertar” dos profissionais. A motivação e a partilha de condutas entre os profissionais de saúde angolanos e portugueses tem vindo a implementar princípios básicos e a sua adaptação ao contexto. “A neonatologia tem beneficiado bastante. Há mais atenção dos profissionais e acertos aos protocolos de higienização, por exemplo. E esta troca de experiências tem resultado numa redução da mortalidade. Já mudámos muitas componentes, mas outras ainda não foram possíveis, como a elevada prevalência da tensão arterial nas grávidas, que leva ao nascimento prematuro dos bebés.”

A chegada tardia das pacientes à maternidade, sem acompanhamento na gestação, também leva a graves asfixias. As várias iniciativas nacionais para a sensibilização das mamãs revelam-se insuficientes. “É uma questão cultural. O parto realiza-se em casa com a família e só quando há complicações é que se vai para o hospital”, lamenta Manuela Mendes. Estas iniciativas levam tempo a colher os frutos, mas Manuela Mendes é otimista e considera que os pequenos passos que têm vindo a ser dados “animam e vale a pena continuar!”

Com uma média de 75 partos por dia, neste momento a maternidade verifica uma maior procura (entre 100 e 120 partos/dia). O hospital tem também uma ala reservada à Covid-19, composta por sala de partos, bloco operatório, neonatologia e duas incubadoras para os casos críticos.