Novo polo oncológico na ilha de São Vicente
A nova unidade, inaugurada no dia 9 de março pelo Ministro da Saúde de Cabo Verde, quer dar resposta ao aumento da incidência desta doença no país – a segunda com maior taxa de mortalidade a seguir às doenças cardiovasculares –, e vai permitir dar resposta às ilhas do barlavento cabo-verdiano, que não dispunham de resposta a curta distância.
Nesta unidade, os doentes poderão receber quimioterapia, o que alarga significativamente o acesso aos cuidados e diminuirá as evacuações inter-ilhas. Para o funcionamento deste polo foram adquiridos novos equipamentos, como uma câmara isoladora para a preparação de quimioterapia e bombas infusoras, que vão permitir melhorar a capacidade terapêutica.
De acordo com a coordenadora do Programa nacional de prevenção e controlo das doenças oncológicas e do registo do cancro de Cabo Verde, Carla Barbosa, as estimativas apontam para cerca de 500 novos casos de cancro por ano, sendo mais frequentes o da mama e o da próstata. Para a coordenadora, este novo polo traduz-se numa “resposta concreta e num esforço de Cabo Verde para o desenvolvimento do seu sistema de saúde”.
Carla Barbosa lembra que o trabalho desenvolvido, nos últimos anos, assenta em três pilares fundamentais: o diagnóstico, o tratamento e a formação em oncologia. “Os resultados alcançados já estão a produzir impacto” refere. A formação especializada dos profissionais cabo-verdianos em Portugal, em áreas essenciais da oncologia como a anatomia patológica, imagiologia, ginecologia, cuidados paliativos, cirurgia do cancro da mama e da próstata, a preparação de citotóxicos e o registo oncológico veio “reforçar áreas essenciais na abordagem do cancro no país”, conclui.
A inauguração da ala oncológica do Hospital Batista de Sousa, no Mindelo, marca a reta final do projeto Onco-CV. Iniciado em 2024, o projeto surgiu da necessidade de dar continuidade à parceria entre o Ministério da Saúde de Cabo Verde e a Fundação Calouste Gulbenkian nos cuidados oncológicos. O projeto tem contribuído para o aumento de cirurgias oncológicas e de sessões de quimioterapia, e para a diminuição do número de evacuações de doentes para Portugal, apostando na formação de profissionais de saúde e da aquisição de equipamentos clínicos especializados.