Gubaidulina: Poema de Conto de Fadas
Orquestra Gulbenkian / Hannu Lintu
Natural da República do Tartaristão, Sofia Gubaidulina estudou música em Kazan, prosseguindo a sua formação em piano e composição, a partir de 1954, no Conservatório de Moscovo, onde concluiu os estudos de pós-graduação em 1963. Apesar de ser membro da União dos Compositores desde 1961, as suas obras sempre foram tratadas com suspeição. Chostakovitch exerceu uma influência importante, incentivando-a a ignorar as críticas hostis das instituições oficiais. Entre 1969 e 1970, trabalhou em Moscovo no estúdio experimental para a música eletrónica, com A. Schnittke e E. Denisov, e em 1975 fundou o Astreya Ensemble, agrupamento especializado na improvisação com instrumentos tradicionais de origem russa, caucasiana e asiática. Estas duas experiências teriam consequências importantes no seu estilo. Em 1992 estabeleceu-se na Alemanha, depois de ter alcançado a fama internacional no final dos anos 80. Premiada por diversas ocasiões, Gubaidulina é considerada, a par de Schnittke e Denisov, entre os líderes da música soviética na segunda metade do século XX, e a sua conceção estética é profundamente marcada por ideias filosóficas, espirituais, religiosas e poéticas.
Esse conjunto de interesses emerge no seu Poema-Skazka, para orquestra, composto originalmente para um programa de rádio, em 1971, a partir de O pequeno pedaço de giz, um conto infantil do escritor checo Miloš Mazourek. Nesta história, um pedaço de giz sonha fazer desenhos fantasiosos, mas vê-se forçado a escrever palavras e números enfadonhos no quadro negro, desesperando-se, até ao dia em que, julgando-se deitado fora, se vê afinal no bolso das calças de um menino que o usa para desenhar o mundo no asfalto. A própria compositora revelou ter interpretado a história como uma metáfora do destino do artista. Recorrendo a um efetivo orquestral algo incomum, Gubaidulina explora uma tapeçaria sonora dinâmica, com linhas melódicas amplas e emotivas que oscilam entre a atonalidade e a tonalidade. Nos últimos instantes a música dissolve-se no silêncio.
Intérpretes
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Orquestra Gulbenkian
Em 1962 a Fundação Calouste Gulbenkian decidiu estabelecer um agrupamento orquestral permanente. No início constituído apenas por doze elementos, foi originalmente designado por Orquestra de Câmara Gulbenkian. Ao longo de sessenta anos de atividade, a Orquestra Gulbenkian (denominação adotada desde 1971) foi sendo progressivamente alargada, contando hoje com um efetivo de cerca de sessenta instrumentistas, que pode ser expandido de acordo com as exigências de cada programa. Esta constituição permite à Orquestra Gulbenkian interpretar um amplo repertório, do Barroco até à música contemporânea. Obras pertencentes ao repertório corrente das grandes formações sinfónicas podem também ser interpretadas pela Orquestra Gulbenkian em versões mais próximas dos efetivos orquestrais para que foram originalmente concebidas, no que respeita ao equilíbrio da respetiva arquitetura sonora.
Em cada temporada, a Orquestra Gulbenkian realiza uma série regular de concertos no Grande Auditório, em Lisboa, em cujo âmbito colabora com os maiores nomes do mundo da música, nomeadamente maestros e solistas. Atua também com regularidade noutros palcos nacionais, cumprindo desta forma uma significativa função descentralizadora. No plano internacional, a Orquestra Gulbenkian foi ampliando gradualmente a sua atividade, tendo efetuado digressões na Europa, na Ásia, em África e nas Américas. No plano discográfico, o nome da Orquestra Gulbenkian encontra-se associado às editoras Philips, Deutsche Grammophon, Hyperion, Teldec, Erato, Adès, Nimbus, Lyrinx, Naïve e Pentatone, entre outras, tendo esta sua atividade sido distinguida, desde muito cedo, com diversos prémios internacionais de grande prestígio. O finlandês Hannu Lintu é o Maestro Titular da Orquestra Gulbenkian, sucedendo a Lorenzo Viotti.
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Hannu Lintu
Maestro Titular
O finlandês Hannu Lintu é o atual Maestro Titular da Orquestra Gulbenkian. Em paralelo, prossegue o seu trajeto como Maestro Principal da Ópera e Ballet Nacionais da Finlândia e inicia os seus mandatos como Parceiro Artístico da Sinfónica de Lahti e Diretor Artístico do Festival Internacional Sibelius.
Na temporada passada, Lintu foi nomeado Diretor Musical da Orquestra Sinfónica de Singapura, com início em 2026/27. À frente desta orquestra, dirige na presente temporada a Missa de Nelson, de Haydn, e a 7.ª Sinfonia de Chostakovitch. Outros destaques incluem novas colaborações com as Sinfónicas da BBC, de St. Louis, de Toronto, de Baltimore e de Detroit, bem como produções de Elektra, de R. Strauss, e uma estreia mundial de A Estrela da Manhã, de Sebastian Fagerlund, na Ópera Nacional Finlandesa.
Nos últimos anos, dirigiu a Sinfónica de Chicago, a Filarmónica de Nova Iorque, a Filarmónica de Berlim, a Orquestra de Cleveland, a Sinfónica da Rádio da Baviera, a Orquestra Nacional da Radio France, a Sinfónica de Boston, a Sinfónica da Rádio Sueca, a Deutsches Symphonie-Orchester Berlin, a Radio Filharmonisch Orkest, a Filarmónica de Londres, a Sinfónica de Atlanta, a Orquestra do Konzerthaus de Berlim e a Sinfónica de Montreal, entre outras orquestras.
Para além das grandes obras sinfónicas, dirige regularmente repertório de ópera. Neste domínio, os destaques recentes incluem Oedipe de Enesco, com a Sinfónica de Viena, no Festival de Bregenz, O Navio Fantasma de Wagner, na Ópera de Paris, e Pelléas et Mélisande de Debussy, na Ópera Estadual da Baviera, bem como várias produções para a Ópera e Ballet Nacionais da Finlândia, incluindo o ciclo O Anel do Nibelungo de Wagner, Dialogues des Carmélites de Poulenc, Don Giovanni de Mozart, Turandot de Puccini, Salome de R. Strauss, Billy Budd de Britten, e uma versão coreografada da Messa da Requiem de Verdi.
Hannu Lintu gravou para as editoras Ondine, Bis, Naxos, Avie e Hyperion. Recebeu vários prémios, incluindo dois ICMA para os Concertos para Violino de Béla Bartók, com Christian Tetzlaff, e para a gravação de obras de Sibelius, com Anne Sofie von Otter. Estas duas gravações, bem como Kaivos, de E. Rautavaara e os Concertos para Violino de Sibelius e de T. Adès, com Augustin Hadelich e a Royal Liverpool Orchestra, foram nomeados para os prémios Gramophone e Grammy.
Hannu Lintu estudou violoncelo e piano na Academia Sibelius, em Helsínquia, instituição onde mais tarde se formou em direção de orquestra com Jorma Panula. Estudou também com Myung-Whun Chung na Accademia Musicale Chigiana, em Siena. Em 1994 venceu o Concurso Nórdico de Direção de Orquestra, em Bergen.
Programa
Sofia Gubaidulina
Poema-Skazka (“Poema de Conto de Fadas”)