Riqueza das Nações II
Adam Smith
Durante um século, na opinião erudita, nos círculos da política e dos negócios, nos meios académicos em que a Economia buscava lugar e estatuto como ramo autónomo do conhecimento social, nenhuma obra económica igualou o impacto da Riqueza das Nações.
Fonte de inspiração para quase todos, matriz de tendências e correntes em que a análise económica se foi ramificando, os seus admiradores disseram-na a bíblia (ou o evangelho) dos economistas; e honraram o seu autor como «pai» da ciência económica. Outros, menos entusiastas, quase o reduziam ao papel de compilador e divulgador de obra alheia.
A questão, no fundo ociosa, da originalidade de Smith (como a de Marx, a de Keynes, ou de qualquer outro dos grandes balizadores do pensamento económico) deve centrar-se naquilo que faz a sua genuína grandeza como cientistas: a capacidade para projectar uma luz nova sobre a inteira paisagem económico-social.
(Do Prefácio de Hermes dos Santos)
Embora o encorajamento à exportação e o desencorajamento à importação constituam os dois principais instrumentos através dos quais o sistema mercantil propõe enriquecer os países, contudo, em relação a determinadas mercadorias, parece ter seguido um plano oposto: desencorajar a exportação e encorajar a importação. Todavia, segundo parece, o seu objectivo último é sempre o mesmo — enriquecer o país através de uma balança comercial vantajosa.
Desencoraja a exportação de materiais de manufactura e dos instrumentos de comércio, a fim de beneficiar os nossos trabalhadores, permitindo-lhes revender a um preço inferior em relação ao das outras nações em todos os mercados externos e, ao restringir assim a exportação de algumas mercadorias, de preço baixo, propõe-se provocar uma muito maior e mais valiosa exportação de outras. Encoraja a importação de matérias de manufactura a fim de que as nossas as possam trabalhar mais barato, impedindo, por esse meio, uma maior e mais valiosa importação de mercadorias manufacturadas. […] Sempre que as manufaturas atingem um certo engrandecimento, o fabrico de instrumentos de comércio torna-se no objeto de um grande número de importantes manufacturas.
(Riqueza das Nações, Vol. II, Livro IV, «Dos Sistemas de Economia Política»)
Ficha técnica
- Outras Responsabilidades:
Prefácio: Hermes dos Santos
Tradução e notas: Maria Teodora Pereira Cardoso, Luís Cristóvão de Aguiar
- Idioma:
- Português
- Coordenação editorial:
- Fundação Calouste Gulbenkian
- Editado:
- Lisboa, 2025
- Dimensões:
- 220 x 145 mm
- Capa:
- Encadernado
- Páginas:
- 814
- ISBN:
- 978-972-31-0610-7