Programa de Aceleração Científica entra numa nova fase
Na etapa que agora termina, os 20 jovens licenciados dos PALOP receberam uma formação intensiva em áreas fundamentais das Ciências da Saúde e da Vida. Iniciado em fevereiro deste ano, o Programa de Aceleração Científica começou com um curso de especialização em Investigação Científica em Biomedicina, na Universidade de Cabo Verde, nas áreas de biologia, química, física, matemática, bioinformática, saúde pública e doenças infeciosas, além de aulas de inglês. Este curso contou com a participação de mais de 40 docentes da Uni-CV, da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e do GIMM – Gulbenkian Institute of Molecular Medicine e especialistas de diferentes áreas científicas.
Ao longo de seis meses, os estudantes participaram ainda nas “Morabezas Científicas” – webinars com personalidades de áreas como ambiente, literatura, jornalismo, direitos humanos ou cidadania, e que se constituíram como espaços de diálogo e partilha sobre as diferentes formas de compreender o mundo. O filósofo Viriato Soromenho Marques, o escritor Mia Couto, a editora de ciência Teresa Firmino, o ativista Bubacar Turé e a diplomata Patrícia Portela de Souza foram alguns dos conferencistas convidados.
Manuel César, licenciado em Análises clínicas e Saúde Pública pela Universidade Agostinho Neto em Angola, é um dos 20 alunos deste Programa que considera ter sido “desafiante e enriquecedor”, não só pelas 19 unidades curriculares que o compuseram e com as quais não teve contacto na licenciatura, mas pela relação que criou com os colegas angolanos e pelos projetos que esperam vir a implementar no futuro. Manuel César confirmou o seu desejo de vir a trabalhar na área das doenças infeciosas, “pelo peso que têm no sistema nacional de saúde angolano e primeira causa de morte no país”, considerando que este Programa foi apenas “o primeiro passo da sua trajetória”.
Por outro lado, Bandje Baldé, médica de clínica geral na Guiné-Bissau e outra das alunas, destaca os métodos, as práticas laboratoriais, a colaboração e trabalho de equipa, “imprescindíveis para quem desenvolve investigação”. Ainda indecisa sobre se avança para a especialidade na área da Pediatria ou se segue uma carreira na investigação, Bandje Baldé tem a certeza de que, tal como o colega angolano, também quer continuar a trabalhar com as doenças infeciosas.
Com a conclusão desta etapa, os estudantes vão iniciar a estágios de seis meses, em instituições de referência em Portugal, onde terão a oportunidade de integrar equipas de excelência e adquirir experiência prática, consolidando as suas competências.
O Programa de Aceleração Científica para os PALOP é uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação GIMM, em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e a Universidade de Cabo Verde. O Programa pretende contribuir para o fortalecimento da capacidade científica e de investigação nos PALOP, criando oportunidades para que jovens talentos possam responder aos desafios de saúde e desenvolvimento dos seus países através da ciência e da inovação.