Programa de Aceleração Científica entra numa nova fase

28 out 2026
O Programa de Aceleração Científica para os PALOP vai iniciar uma nova etapa. A partir de janeiro de 2027, 20 alunos, que frequentaram a primeira fase que terminou na Universidade de Cabo Verde, vão realizar estágios em instituições de referência em Portugal.

Na etapa que agora termina, os 20 jovens licenciados dos PALOP receberam uma formação intensiva em áreas fundamentais das Ciências da Saúde e da Vida. Iniciado em fevereiro deste ano, o Programa de Aceleração Científica começou com um curso de especialização em Investigação Científica em Biomedicina, na Universidade de Cabo Verde, nas áreas de biologia, química, física, matemática, bioinformática, saúde pública e doenças infeciosas, além de aulas de inglês.  Este curso contou com a participação de mais de 40 docentes da Uni-CV, da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e do GIMM – Gulbenkian Institute of Molecular Medicine e especialistas de diferentes áreas científicas.

Ao longo de seis meses, os estudantes participaram ainda nas “Morabezas Científicas” – webinars com personalidades de áreas como ambiente, literatura, jornalismo, direitos humanos ou cidadania, e que se constituíram como espaços de diálogo e partilha sobre as diferentes formas de compreender o mundo. O filósofo Viriato Soromenho Marques, o escritor Mia Couto, a editora de ciência Teresa Firmino, o ativista Bubacar Turé e a diplomata Patrícia Portela de Souza foram alguns dos conferencistas convidados.

Manuel César, licenciado em Análises clínicas e Saúde Pública pela Universidade Agostinho Neto em Angola, é um dos 20 alunos deste Programa que considera ter sido “desafiante e enriquecedor”, não só pelas 19 unidades curriculares que o compuseram e com as quais não teve contacto na licenciatura, mas pela relação que criou com os colegas angolanos e pelos projetos que esperam vir a implementar no futuro. Manuel César confirmou o seu desejo de vir a trabalhar na área das doenças infeciosas, “pelo peso que têm no sistema nacional de saúde angolano e primeira causa de morte no país”, considerando que este Programa foi apenas “o primeiro passo da sua trajetória”. 

Por outro lado, Bandje Baldé, médica de clínica geral na Guiné-Bissau e outra das alunas, destaca os métodos, as práticas laboratoriais, a colaboração e trabalho de equipa, “imprescindíveis para quem desenvolve investigação”. Ainda indecisa sobre se avança para a especialidade na área da Pediatria ou se segue uma carreira na investigação, Bandje Baldé tem a certeza de que, tal como o colega angolano, também quer continuar a trabalhar com as doenças infeciosas.

Com a conclusão desta etapa, os estudantes vão iniciar a estágios de seis meses, em instituições de referência em Portugal, onde terão a oportunidade de integrar equipas de excelência e adquirir experiência prática, consolidando as suas competências.

O Programa de Aceleração Científica para os PALOP é uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação GIMM, em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e a Universidade de Cabo Verde. O Programa pretende contribuir para o fortalecimento da capacidade científica e de investigação nos PALOP, criando oportunidades para que jovens talentos possam responder aos desafios de saúde e desenvolvimento dos seus países através da ciência e da inovação.

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