1 Dezembro 2020

Eduardo Lourenço

O Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian manifesta o seu profundo pesar pela morte do Professor Eduardo Lourenço, colaborador de longa data e administrador não-executivo da Fundação entre 2002 e 2012.

Eduardo Lourenço © Márcia Lessa

“Pensador de espírito livre e olhar profundo, aberto e sempre diferente sobre as questões, o Professor Eduardo Lourenço deu, ao longo dos anos, um importante contributo na forma de se pensar o destino português”, referiu a Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Isabel Mota. Recordando “um amigo”, Isabel Mota destaca “a sua imensa cultura, alavancada por uma enorme sede de conhecimento e interesse pelo sentido das coisas, o seu amor pela História, o seu discreto sentido de humor, tão característico dos homens de grande sabedoria.” “Uma referência que há de permanecer em nós apesar de, neste momento, deixar a Fundação Calouste Gulbenkian de luto”, conclui.

Eduardo Lourenço, filósofo e ensaísta português nascido em S. Pedro de Rio Seco, Guarda, a 23 de maio de 1923, lecionou em diversas universidades, de Coimbra a Brasília, passando por Hamburgo, Heidelberg, Montpellier, Grenoble e Nice. Autor de vasta obra – a primeira das quais, Heterodoxia I, foi publicada em 1949 – debruçou-se sobre uma grande variedade de temas filosóficos, políticos, culturais, religiosos e literários, tendo dedicado parte importante dos seus estudos críticos e literários à poesia, com ênfase em Camões, Pessoa e Antero.

Colaborador de longa data da Fundação Calouste Gulbenkian, foi seu administrador não executivo entre 2002 e 2012. A Fundação, onde Eduardo Lourenço ainda mantinha gabinete, continua a publicar as suas obras. Foram recentemente editados os VIII e IX Volumes das suas Obras Completas, Requiem para Alguns Vivos e Pessoa Revisitado. Crítica Pessoana I (1949 – 1982).

Ao longo da sua vida, recebeu numerosas distinções, entre as quais o Prémio Europeu de Ensaio Charles Veillon (1988), o Prémio Camões (1996), o Prémio Pessoa (2011) e o Prémio da Academia Francesa (2016). Entre outras condecorações, foi agraciado com as Grã-Cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada da Ordem do Infante D. Henrique e da Ordem da Liberdade. Foi ainda nomeado Officier de la Légion d’Honneur e consagrado Doutor Honoris Causa pelas Universidades do Rio de Janeiro (1995), Universidade de Coimbra (1996), Universidade Nova de Lisboa (1998) e Universidade de Bolonha (2006).