Controlo da celulite necrotizante em São Tomé e Príncipe

Fundação Gulbenkian coordena projeto multidisciplinar

A Fundação Calouste Gulbenkian está a coordenar um projeto para o controlo da celulite necrotizante em São Tomé e Príncipe. Este projeto pretende identificar a causa do surgimento anormal desta infeção dos tecidos moles (geralmente nos membros inferiores), originada por agentes microbianos e que pode provocar lesões irreversíveis e debilitantes se não for rapidamente diagnosticada e tratada.

O projeto, que tem uma duração prevista de quatro meses (de março a junho de 2018), pretende consolidar protocolos ao nível do diagnóstico, intervenção clínica e terapêutica; fazer formação especializada de profissionais de saúde; e desenvolver um plano de prevenção e controlo da doença. Em paralelo, será lançada, em conjunto com o Ministério da Saúde de São Tomé, uma campanha de sensibilização à população. O projeto tem como grupo-alvo toda a população são-tomense e, em particular, os doentes diagnosticados com celulite necrotizante (os dados epidemiológicos atuais apontam para 20 a 30 novos casos por semana) e os profissionais de saúde, designadamente do Hospital Ayres de Menezes e dos serviços distritais que venham a estar envolvidos.

A equipa multidisciplinar envolvida no projeto integra elementos do Instituto Gulbenkian de Ciência, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, do Hospital Egas Moniz e do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge e conta com o apoio da Cooperação Portuguesa, Camões –Instituto da Cooperação e da Língua, e do Ministério da Saúde de Portugal, designadamente da Direção-Geral de Saúde.

O projeto tem o apoio da indústria farmacêutica portuguesa que, através de articulação com o INFARMED, se associou à iniciativa, com a doação de medicamentos, nomeadamente antibióticos; o Exército Português também cedeu consumíveis laboratoriais e disponibilizou dois efetivos para reforço das equipas de pesquisa no terreno.