Turquia
De origens arménias, Calouste Gulbenkian nasceu em Scutari (atualmente Üsküdar), um distrito de Constantinopla (hoje Istambul) localizado na margem asiática do estreito do Bósforo. Embora tenha deixado a cidade relativamente jovem, fixando residência em Inglaterra, França e, no fim da sua vida, em Portugal, o colecionador esteve sempre ligado às suas origens.
No final do século XIX, não muito depois de ter iniciado a sua atividade como colecionador, Gulbenkian adquiriu uma obra da autoria do artista francês Félix Ziem, intitulada Ciprestes em Scutari. A pintura a óleo representa, em primeiro plano, o cemitério de Üsküdar. Ao fundo, podemos ver, entre os ciprestes, a cidade de Istambul, destacando-se a cúpula e os minaretes da Basílica de Santa Sofia ou Hagia Sofia. Erigida em 537 como espaço de culto da Igreja Ortodoxa, a basílica foi convertida numa catedral católica e, posteriormente, numa mesquita. A partir da década de 1930, o edifício secularizado passou a operar como um museu. Recentemente voltou a funcionar como mesquita.
Félix Ziem pintou esta paisagem entre 1860 e 1870, algumas décadas antes de ser comprada por Gulbenkian em 1899. «Pintor viajante», Ziem deixou França e percorreu grande parte da Europa. Em meados da década de 1850, o pintor, ligado à Escola de Barbizon, partiu numa viagem até Constantinopla que o levou posteriormente ao Egito e ao Sudão. As suas pinturas refletem as múltiplas viagens que fez, inspiradas nas paisagens que teve a oportunidade de apreciar e na sua imaginação.
Embora esta seja a única paisagem da Turquia presente na coleção de Calouste Gulbenkian, o colecionador adquiriu de forma recorrente obras oriundas da região onde nasceu, incluindo um importante núcleo de cerâmicas de Iznik. Na exposição permanente do Museu Calouste Gulbenkian reúne-se um notável conjunto de louças e azulejos provenientes desta cidade na atual Turquia, importante centro de produção no século XVI.