Gulbenkian Água

Apoio a projetos de demonstração de boas práticas agrícolas que promovam a saúde dos solos e a gestão sustentável da água.

Data

Data de abertura23 jul 2025 / 09:00
Data de encerramento24 set 2025 / 15:00

Hora Lisboa

Documentos

A saúde dos solos é essencial para garantir uma melhor absorção, armazenamento e infiltração da água, bem como para a transformação de nutrientes e outras substâncias. Estes processos têm um impacto direto na proteção das massas de água subterrâneas.

Solos com maior capacidade de retenção hídrica e infiltração em profundidade contribuem significativamente para mitigar os efeitos de eventos extremos, como cheias e secas, desempenhando também um papel crucial na resiliência dos territórios.

Esta nova linha de apoios responde às necessidades identificadas por entidades e especialistas do setor agrícola, promovendo uma adoção mais alargada de práticas sustentáveis de gestão do solo com impacto direto na disponibilidade e conservação da água.

Os apoios destinam-se a projetos de demonstração entre pares, que levem os agricultores ao terreno para conhecer as melhores práticas e o seu impacto.

Esta iniciativa dá continuidade a projetos de apoio anteriores, centrados no uso eficiente da água de rega, que contribuíram para a criação de uma rede considerável de entidades a trabalhar para a eficiência hídrica no setor, através da modernização tecnológica.

Objetivo

Este apoio é dirigido a entidades que representam diferentes segmentos do setor agrícola ou que com ele trabalhem – como organizações de produtores, centros de competências e outras.

Visa criar mais oportunidades de aprendizagem no terreno, aproveitando o conhecimento de quem já implementa boas práticas, ajudando a clarificar opções, riscos, benefícios e impactos de médio e longo prazo associados à transição para sistemas mais sustentáveis.

Serão apoiados projetos de demonstração com impacto direto e mensurável nos seguintes objetivos:

  • Capacitar agricultores, em Portugal, para práticas agrícolas que promovam a saúde dos solos e a sua monitorização, aumentando a capacidade de absorção, armazenamento e filtragem da água, entre outros benefícios ecológicos;

  • Demonstrar aos agricultores os ganhos, para culturas específicas, que resultam de práticas mais sustentáveis, através da partilha e do contacto com práticas inovadoras, em contextos adaptados a diversos perfis e escalas;

  • Comunicar os benefícios de uma gestão integrada da água e do solo.

Condições de elegibilidade

São elegíveis parcerias entre entidades com atuação no setor agrícola que reúnam as seguintes condições:

  • Conhecimento técnico sobre a gestão integrada de recursos (solo e água) na região onde o projeto será implementado, incluindo melhores práticas e utilização de tecnologia adequada para esse efeito;

  • Capacidade para organizar e realizar ou acompanhar ações de demonstração no terreno, em explorações de diferentes escalas que integrem o contexto dos diferentes agricultores;

  • Capacidade de organização em torno de uma ou várias culturas e regiões, com características e necessidades concretas, em função das quais deve ser desenhado o projeto de demonstração;

  • Capacidade de promover a participação ativa dos agricultores, tanto nas ações de demonstração como na partilha de práticas, experiências, preocupações e resultados;

  • Capacidade de mobilizar, através das entidades parceiras, um grupo alargado de stakeholders, incluindo agricultores mentores, de forma a ampliar o alcance e o impacto do projeto;

  • Capacidade para apoiar os agricultores na escolha e implementação de sistemas, tecnologias e equipamentos de rega mais eficientes;

  • Experiência no desenvolvimento de projetos baseados em metodologias sólidas (p.ex. projetos FarmDemo e Nefertiti);

  • Capacidade de comunicar e disseminar os resultados do projeto de forma eficaz para todo o setor.

Condições do apoio

A Fundação Calouste Gulbenkian irá apoiar até quatro projetos em 2025. O montante de financiamento por projeto será entre 70.000 € e 100.000 €.

Como concorrer

  • Só serão aceites candidaturas online e em português;
  • Faça o seu registo na plataforma MyGulbenkian;
  • Antes de submeter o formulário de candidatura, verifique todos os critérios de elegibilidade no Regulamento e consulte as Perguntas Frequentes (disponíveis na área de documentos);
  • Só será possível submeter a candidatura depois de preenchidos todos os campos obrigatórios do formulário e feito o upload da documentação exigida no Regulamento.
  • No final, clique no botão “submeter candidatura”. De forma a prevenir dificuldades na submissão das candidaturas, evite submeter a sua candidatura nos últimos dias do prazo.

Perguntas Frequentes

Os projetos candidatos devem cumprir objetivos específicos?

Sim. As candidaturas devem apresentar projetos que cumpram os seguintes objetivos:

  • Desenvolver atividades de intercâmbio de conhecimento entre agricultores, baseadas, maioritariamente, em ações de demonstração no terreno;
  • Criar ou dinamizar explorações de demonstração piloto que desenvolvam atividades inovadoras e que possam ser partilhadas de forma alargada e adotadas por outros agricultores, através de visitas técnicas às explorações e de outras atividades como materiais audiovisuais (fotografias, vídeos, etc.) e textos técnicos simples sobre a utilização de tecnologia, entre outras consideradas relevantes;
  • Adequar o projeto às características de (preferencialmente) uma cultura e de uma região, garantido uma aprendizagem dirigida às necessidades concretas de um determinado grupo de agricultores participantes;
  • Integrar explorações de diferentes escalas que reflitam o contexto dos diferentes agricultores participantes;
  • Garantir que a participação de determinado grupo de agricultores não se circunscreva a apenas uma ação de demonstração, mas a um conjunto de ações que acompanhem as diferentes fases da cultura e que promovam confiança entre os agricultores para uma partilha mais aberta;
  • Garantir, ao longo da campanha agrícola que o projeto acompanha, a monitorização e a partilha de informação (big data) pelos agricultores envolvidos – tais como, infiltração de água, erosão do solo, atividade microbiana, evapotranspiração, entre outros – contribuindo para uma melhor compreensão dos benefícios associados às boas práticas;
  • Comunicar e disseminar os resultados obtidos, de forma a aumentar o impacto do projeto, promover a adoção de boas práticas e permitir que a rede e as iniciativas sejam replicadas de uma forma generalizada;
  • Testar abordagens, técnicas ou tecnologias inovadoras no contexto nacional.

O que se entende por ações de demonstração?

As demonstrações nas explorações agrícolas (farm demo) já existem há muitos anos e são organizadas com o objetivo de partilhar técnicas ou práticas inovadoras. Os modelos destas demonstrações podem variar na duração, no número de pessoas envolvidas (que podem ser agricultores ou de organizações distintas, como associações ou institutos de investigação) e até no objeto, desde montras (por exemplo, quando uma empresa de sementes faz um ensaio com diferentes variedades para depois as mostrar aos agricultores) a sistemas de cocriação de inovação (por exemplo, quando agricultores e investigadores se juntam ao longo de várias sessões para trabalharem em conjunto num novo modelo de mobilização do solo). Podem também ocorrer em explorações agrícolas comerciais (privadas) ou em estações experimentais pertencentes a entidades de investigação.

Dada esta grande diversidade, importa definir o formato específico que as atividades de demonstração deverão ter no contexto deste concurso. Assim, nesta iniciativa, consideram-se os seguintes princípios para uma ação de demonstração:

  • Local: preferencialmente, ou maioritariamente, em explorações agrícolas comerciais, podendo pontualmente ser organizadas em estações experimentais pertencentes a entidades de investigação.
  • Duração de cada ação: no máximo, um dia em campo; podendo, idealmente, ser organizadas várias demonstrações no mesmo local, desde que espaçadas no tempo (por exemplo, de forma a seguir uma cultura em duas fases distintas do ciclo de exploração).
  • Participantes por ação: cerca de 15 a 35 e maioritariamente agricultores.
  • Antes da demonstração: definir detalhadamente o público alvo, o objetivo da demonstração e o que vai ser demonstrado (questões a discutir; problemas ou boas práticas; principais mensagens ou outros); divulgar adequadamente a demonstração, definir o programa e dar informação detalhada aos participantes sobre o que vai acontecer; definir o tempo que vai durar e a hora a que vai acontecer; preparar a demonstração em conjunto com a exploração onde irá ocorrer; efetuar o registo dos participantes, assegurando uma forma simples de comunicação; confirmar os participantes nas vésperas da demonstração.
  • Durante a demonstração: definir um programa equilibrado, com uma componente de campo e outra de discussão; seguir os princípios básicos de uma boa demonstração: relacionar a troca de conhecimento com a prática diária dos agricultores, garantir que todos os participantes interagem na partilha de conhecimento, e utilizar ferramentas e métodos adequados que fomentem a partilha de informação e a aprendizagem (apresentações, posters, folhetos, vídeos, discussões, workshops, entre outros); incluir uma componente informal (almoço ou lanche); garantir que os locais e equipamentos são adequados; no final, fazer a avaliação da demonstração pelos participantes.
  • Depois da demonstração: avaliar a demonstração de acordo com os objetivos propostos e partilhar a análise da avaliação com os participantes (avaliar se o motivo para organizar a demonstração foi bem cumprido, se a informação disponibilizada foi adequada e se os agricultores conseguem replicar o que aprenderam nas suas próprias explorações; avaliar as metodologias e ferramentas utilizadas na organização da demonstração; definir ações a desenvolver no seguimento da demonstração.

Nota: É esperado que o projeto desenvolva diversas ações de demonstração para diferentes grupos de agricultores. Adicionalmente, a participação de determinado grupo de agricultores não deve cingir-se a apenas uma ação de demonstração, mas várias ações que permitam acompanhar diferentes fases da cultura e os ajustes que as tecnologias exigem e permitem fazer ao longo da campanha.

Que duração devem ter os projetos?

A execução dos projetos deverá ser iniciada no último trimestre de 2025 e poderá estender-se até março de 2027, com duração prevista de até 15 meses.

Quem pode candidatar-se a este concurso?

Podem candidatar-se a esta linha de apoio pessoas coletivas públicas ou privadas, com ou sem fins lucrativos, em parceria, coordenadas por pessoas coletivas sem fins lucrativos.

As instituições candidatas têm de reunir os seguintes requisitos:

  • Encontrarem-se sediadas em território nacional;
  • Estarem legalmente constituídas e devidamente registadas, nos termos da lei;
  • Terem a sua situação regularizada junto da segurança social e da autoridade tributária.

Apenas são elegíveis projetos com impacto direto em Portugal.

O estabelecimento de parcerias com outras entidades é obrigatório?

Sim. Os projetos devem ser apresentados por uma parceria de entidades, contemplando a existência de uma entidade promotora e uma ou mais entidades parceiras.

As entidades poderão apresentar ou integrar mais do que uma candidatura?

As entidades proponentes não poderão apresentar mais do que uma candidatura, embora possam figurar como entidades parceiras em outras candidaturas. As entidades parceiras podem integrar diversas candidaturas.

As despesas de atividades das potenciais entidades parceiras são elegíveis?

As despesas de atividades das potenciais entidades parceiras são elegíveis desde que concorram diretamente para as atividades do projeto. Todavia, o seu pagamento será assegurado pela entidade proponente, a única entidade beneficiária deste apoio.

Quais são os critérios de avaliação das candidaturas?

A análise das candidaturas é feita por um júri constituído por especialistas altamente qualificados cuja composição é da responsabilidade da Fundação Calouste Gulbenkian.

Os projetos serão avaliados de acordo com os seguintes critérios:

Projeto

  • Clareza dos objetivos do projeto, da metodologia a adotar e dos resultados e impacto esperados;
  • Grau de contribuição esperada do projeto para os objetivos expostos;
  • Grau de excelência do projeto comparativamente a outros já existentes (incluindo na inovação);
  • Robustez da proposta ao nível técnico, metodológico e de planeamento;
  • Orçamento.

Equipa

  • Competências da equipa para o projeto proposto;
  • Nível de motivação e compromisso na candidatura;
  • Reputação e rede de contactos – projetos anteriores desenvolvidos, rede de parceiros, prémios atribuídos, entre outros.

Participação em projetos anteriores

  • Será dada uma majoração a projetos promovidos por entidades que ainda não tenham sido financiadas pela Fundação no âmbito do Gulbenkian Água.

A decisão final será conhecida em novembro de 2025.

Atualização em 09 março 2026

Definição de Cookies

Definição de Cookies

Este website usa cookies para melhorar a sua experiência de navegação, a segurança e o desempenho do website. Podendo também utilizar cookies para partilha de informação em redes sociais e para apresentar mensagens e anúncios publicitários, à medida dos seus interesses, tanto na nossa página como noutras.