Paula Rego e Adriana Varejão

Entre os vossos dentes

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Data

11 abr – 22 set 2025
  • qua, qui e sex,
  • Encerra Terça

Local

Nave Centro de Arte Moderna Gulbenkian

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Preço

Gratuito – Menores de 18
25% – Menores de 30
10% – Maiores de 65

Cartão Gulbenkian:
Gratuito – Menores de 30, sábados, 18:00 – 21:00
50% – Menores de 30
20% – Maiores de 64
10% – 30 a 65

Esta exposição junta duas artistas de diferentes gerações, revisitando o seu trabalho, cruzando os seus temas e revitalizando as suas leituras.

Entre os vossos dentes é o subtítulo da exposição que reúne cerca de 80 obras de duas artistas de grande reconhecimento internacional: Paula Rego (Lisboa, 1935 – Londres, 2022) e Adriana Varejão (Rio de Janeiro, 1964). Citação de um poema de Hilda Hilst, Poemas aos homens do nosso tempo, neste verso podemos desde logo pressentir a natureza crua deste encontro.

O espaço amplo da nave do CAM reconfigurou-se no desenho de 13 salas, numa sucessão ritmada de espaços constritos e labirínticos, rasgados por fendas e pontos de fuga, e marcados pela tensão entre as paredes nuas do exterior e a densidade expressiva do seu interior, entre o dentro e o fora, espaço doméstico e espaço público. Ficou assim traçado um corpo arquitetónico onde a nudez da pele encobre os acidentes da carne.  

Esta poderá ser a primeira metáfora desta exposição, onde em cada uma das salas descobrimos as «camadas» de que são feitos os universos temáticos das duas artistas. Incorpóreas, imateriais, subtis em Paula Rego; mais matéricas, físicas e viscerais nos trabalhos de Adriana Varejão. E encontramos o que está por detrás da pele de cada uma: se o gesto da espada em Paula Rego fica suspenso, Adriana, pelo contrário, faz o golpe e morde até fazer sangue.

A humanidade referida no poema, a sua História e as histórias de todas as violências e injustiças, civilizacionais ou íntimas, são a matéria bruta que ambas as artistas trabalham numa exasperação transformadora, desconstruindo e subvertendo narrativas oficiais, referências múltiplas, literárias, artísticas, historiográficas, desviando o sentido primordial de todas essas suas fontes.

Artistas de gerações diferentes, mas com três décadas de trabalho em simultâneo, separadas pelo Oceano Atlântico em dois continentes, Europa e América do Sul, Paula Rego e Adriana Varejão seguem caminhos autónomos que, por variadas vezes e de múltiplos modos, convergem. Esta exposição procurou trazer para cada um dos seus espaços, tematicamente nomeados, os pontos de interseção onde essas linhas se entrelaçam e fazem pontos de luz, numa dramaturgia onde as obras selecionadas são as protagonistas.

O título da exposição foi retirado de «Poemas aos homens do nosso tempo», da poetisa e romancista brasileira Hilda Hilst, escrito em 1974, numa clara alusão ao estado de ditadura em que o Brasil se encontrava mergulhado há já dez anos.

Amada vida, minha morte demora.
Dizer que coisa ao homem,
Propor que viagem? Reis, ministros
E todos vós, políticos,
Que palavra
além de ouro e treva
Fica em vossos ouvidos?
Além de vossa RAPACIDADE
O que sabeis
Da alma dos homens?
Ouro, conquista, lucro, logro
E os nossos ossos
E o sangue das gentes
E a vida dos homens
Entre os vossos dentes.

— Hilda Hilst, excerto de «Poemas aos homens dos nossos tempos», in Júbilo, memória, noviciado da paixão, 1974


Guia digital gratuito

Explore as 13 salas da exposição com os comentários dos curadores Adriana Varejão, Helena Freitas e Victor Gorgulho, e da designer Daniela Thomas.

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Temas

Fui terra, fui ventre, fui vela rasgada

Memórias de açúcar e sal

Comemos, dançamos, matamos e misturamos

Câmara de ecos

Rituais de limpeza

Extirpações

Faca amolada

Dentro do quarto, fora de mim

Corpo em transe

Reconfigurando o sagrado

Apesar de você

Criaturas extraordinárias

Mar, onde sou a mim mesma devolvida em sal, espuma e concha


Publicações


Biografias


Ficha técnica

Curadoria

Adriana Varejão
Helena de Freitas
Victor Gorgulho

Cenografia

T+T PROJETOS
Daniela Thomas
Felipe Tassara 
Maristella Pinheiro

Imagem principal

Vista da exposição © Pedro Pina

Mecenas da Nave e da Exposição

Mecenas da Exposição

A Fundação Calouste Gulbenkian reserva-se o direito de recolher e conservar registos de imagens, sons e voz para a difusão e preservação da memória da sua atividade cultural e artística. Caso pretenda obter algum esclarecimento, poderá contactar-nos através do formulário Pedido de Informação.

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