Maria Paz Aires. Assembleia Lésbica
Programa de Residências Abertas
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Data
- sáb,
- Encerra Terça
Local
Espaço Engawa Centro de Arte Moderna Gulbenkian«O que significa o encontro enquanto experiência estética, simultaneamente sonora, corporal e política?
O ensaio «The Gender of Sound», de Anne Carson, sobre a voz da mulher ao longo da história, é aqui reinterpretado sob um ponto de vista transfeminista. O ponto de partida é um poema de Alkaios (século VI a.C.), que descreve a sua experiência ao ser ostracizado e expulso da cidade. À margem, aterrorizado, o poeta ouve um grupo de mulheres naturais de Lesbos que riem e conversam sobre a sua própria beleza. Alkaios compara o som destas mulheres ao de uma alcateia. Na Grécia Antiga, o lobo simbolizava uma força selvagem e descontrolada que carecia da domesticação do homem para se tornar “civilizada”. Também hoje, a dissidência feminina e queer permanece como uma ameaça latente à ordem estabelecida.
A Assembleia Lésbica constitui-se como uma cenografia viva que se transforma ao longo do tempo da residência. Propõe-se como um lugar de visibilidade, liberdade e descoberta – um espaço onde é possível brincar, descansar, ler, pensar, conversar e flirtar.
No início do percurso, surgem três monstras que evocam não-binaridade e fluidez, remetendo para figurações ancestrais ligadas à magia e ao ritual. Estas figuras aludem a outras presenças no meu trabalho, sendo aqui ressignificadas e transformadas num trio de madames lésbicas. Regressadas de um tempo ancestral para reivindicar o seu espaço de fala, reúnem-se num ato de alegria e autodescoberta.
Ao longo do processo da residência, estas figuras podem transformar-se e multiplicar-se. Têm o potencial de gerar novas monstras ou de trocar partes dos seus corpos, em gestos contínuos de experimentação da identidade e da expressão de género. Podem, igualmente, desaparecer, decompondo-se e abraçando outras formas de vida.»
— Maria Paz Aires
Concebida por Diana Correia, em colaboração com Maria Paz Aires, uma instalação sonora está disponível no espaço. Uma voz distinta é atribuída a cada uma das três esculturas metálicas – as Monstras.
Programa da residência em colaboração com um grupo de alunos do Lisbon Consortium da Universidade Católica Portuguesa.
Biografias
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Maria Paz Aires
Através da escultura, do desenho e da instalação, Maria Paz Aires (1998, Porto) faz emergir uma exploração da fluidez do corpo e da identidade, observando e propondo simbioses entre o humano, o animal e o vegetal para melhor compreender a vida e a generosidade planetárias. O artista investiga corpos não normativos como resposta a sistemas de opressão social e emocional, particularmente aqueles derivados de estruturas hierárquicas. Paz imagina comunidades de seres «queer», monstruosos e híbridos, sustentados pelo desejo e pela interdependência.
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Diana Correia
Diana Correia é uma compositora e artista sonora que vive entre Berlim e Lisboa. Trabalhando principalmente sob o nome artístico de Marie Dior, a sua extensa prática investiga a distorção de tons puros, relacionando-os com corpos e materiais em processo de deterioração transformacional. O seu trabalho aborda questões de agência e mutabilidade através de uma perspetiva que ela própria descreve como transsexual e transgressiva.
Ficha técnica
Imagem principal
Maria Paz Aires (1998)
dentro de nós, 2025
Lápis de cor sobre papel Fabriano 200g
Cortesia de artista
Coordenação curatorial e académica
Luísa Santos
Curadores
Estudantes do The Lisbon Consortium, Faculdade de Ciências Humanas, Universidade Católica Portuguesa
Amal Abu Nafisah
Constança Mafra
Margarida Fonseca
Vitor Fonseca
Coordenado por
Colaboração
A Fundação Calouste Gulbenkian reserva-se o direito de recolher e conservar registos de imagens, sons e voz para a difusão e preservação da memória da sua atividade cultural e artística. Caso pretenda obter algum esclarecimento, poderá contactar-nos através do formulário Pedido de Informação.