As Mulheres de Maria Lamas

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Exposição que mostra pela primeira vez em Portugal a obra fotográfica de Maria Lamas (1893–1983), jornalista e escritora, pedagoga e investigadora, tradutora e fotógrafa, lutadora pelos direitos humanos e cívicos em tempos de ditadura.

Maria Lamas (1893–1983), jornalista e escritora, pedagoga e investigadora, tradutora e fotógrafa, lutadora pelos direitos humanos e cívicos em tempos de ditadura, foi porventura a mais notável mulher portuguesa no século XX. Enquanto perdura uma certa memória da sua afirmação e ação políticas durante o Estado Novo (anos 1930–1960, que a levou à prisão em 1949, 1951 e 1953) e do seu exílio em Paris (1962–1969), a sua obra literária e jornalística está praticamente esquecida. Muito poucos dos seus livros – mais de uma vintena de obras entre poesia, ficção, literatura infantil, antropologia social, tradução – se encontram disponíveis no mercado.

Quanto à sua (limitada, mas notável) obra fotográfica, nunca foi exibida em Portugal. Jorge Calado integrou oito provas vintage de Maria Lamas na exposição Au féminin – Women Photographing Women 1849–2009 no Centre Culturel Calouste Gulbenkian, em Paris, em 2009. Em 2016, o mesmo curador, enquanto responsável pela representação ibérica na grande exposição de fotografia mundial do século XX, no Dubai, Dubai Photo Exhibition 2016 − A global perspective in photography, incluiu Maria Lamas entre os dez fotógrafos escolhidos (seis portugueses e quatro espanhóis), mostrando 9 das suas imagens.

O foco da presente exposição, também com curadoria de Jorge Calado, será, pois, a obra fotográfica de Maria Lamas. Nela se apresenta uma seleção de 67 das suas fotografias, maioritariamente provas vintage (da época), de pequenas dimensões, entre 8 x 6 cm e 14 x 18 cm, mas também algumas ampliações. Além destas, serão expostas provas da época de outros fotógrafos incluídas na obra Mulheres do meu país. Serão ainda mostrados objetos pessoais de Maria Lamas, bem como o seu retrato pintado por Júlio Pomar em 1954, e o busto em gesso esculpido, em 1929, por Júlio de Sousa. A secção destinada à sua obra literária e jornalística incluirá exemplares de primeiras edições dos livros fundamentais, literatura infantil, poesia e ficção, traduções, algum jornalismo.

Acompanhando a exposição, será editado pela Fundação um catálogo bilingue (português e inglês) que, para além de publicar as fotografias de Maria Lamas em exposição, cada uma em página inteira, inclui textos de Jorge Calado, Alexandre Pomar, Raquel Henriques da Silva e Alice Vieira.

A Fundação Calouste Gulbenkian reserva-se o direito de recolher e conservar registos de imagens, sons e voz para a difusão e preservação da memória da sua atividade cultural e artística. Caso pretenda obter algum esclarecimento, poderá contactar-nos através do formulário Pedido de Informação.

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