Vacina contra SARS-CoV-2: Aumento de anticorpos reforçado após segunda toma

Assegurar intervalo recomendado entre as duas tomas e manter a proteção individual após vacinação.

Dos 1245 profissionais de saúde acompanhados desde a primeira toma da vacina, em dezembro de 2020, 99.8% revelaram desenvolver anticorpos de forma expressiva ao final de três semanas depois da toma da segunda dose. Os resultados do estudo desenvolvido pelo IGC em profissionais de saúde do CHLO revelam ainda um aumento pouco expressivo dos anticorpos ao nível da mucosa, principal fonte de contágio e transmissão da doença. Resultados levam a recomendar que não se aumente o intervalo entre tomas e que se mantenham os cuidados de proteção individual mesmo após o processo de vacinação.

O Instituto Gulbenkian de Ciência e o Centro Hospitalar Lisboa Ocidental, E.P.E. têm vindo a colaborar em projetos de vigilância do vírus SARS-CoV-2 em profissionais de saúde. Os primeiros resultados do estudo de eficácia da vacina, três semanas após a primeira administração da vacina da Pfizer/BioNTech, foram apresentados em fevereiro de 2021, e apontavam para cerca de 90% dos profissionais de saúde envolvidos a desenvolver uma resposta imunitária à vacina. Três semanas após a administração da segunda dose da vacina os valores sobem para mais de 99%, garantindo uma forte resposta imune que está na base da proteção à doença.

“É necessário acompanhar diferentes populações, com diferentes faixas etárias e características, para validar a efetividade da vacina no mundo real”, explica Carlos Penha Gonçalves, corresponsável pelo estudo e investigador do Instituto Gulbenkian de Ciência. Neste estudo de seis semanas de acompanhamento, “verificámos, por exemplo, que a idade tem efeito na resposta à vacina e nomeadamente que homens com idades compreendidas entre os 60 e os 70 anos tiveram respostas imunológicas mais baixas, principalmente após a toma da primeira dose da vacina” detalha o investigador.

“Os resultados mostraram que, após a primeira dose, a resposta imune é muito heterogénea na população e que a segunda dose é necessária para maximizar a proteção conferida pela vacina” afirma Jocelyne Demengeot, imunologista, co-responsável pelo estudo e investigadora do Instituto Gulbenkian de Ciência. Esta descoberta sugere que não é aconselhável alargar o tempo recomendado entre as duas doses de vacina (definido entre os 19 e os 42 dias), contrariamente a que foi sugerido para compensar o atraso na entrega de vacinas. Por outro lado, a análise dos dados sugere que esta vacina não promove níveis elevados de anticorpos capazes de combater a infeção nas mucosas (por exemplo no nariz e vias respiratórias), o primeiro lugar onde o vírus entra e se multiplica. “Estes dados reforçam a ideia”, salienta a investigadora, “que é preciso manter os cuidados de proteção individual e etiqueta respiratória mesmo após a conclusão do processo de vacinação”. Um comportamento que ajudará a controlar a infeção e propagação da doença.

O estudo continua a decorrer e vai acompanhar o grupo de 1250 profissionais de saúde por um período de um ano, pois esta é a única forma de compreender por quanto tempo os anticorpos se mantem e se algum dos membros do estudo contrair a doença, qual a resposta que vai desencadear. O Instituto Gulbenkian de Ciência pretende, ainda, alargar este estudo através de monitorização de outras faixas etárias da população, e diferentes vacinas quando disponíveis a nível nacional, em parceria com outros hospitais e autarquias. O conjunto de dados recolhidos serão partilhados com o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge que agilizará, com as Agências Europeias (ECDC), a monitorização nacional alargada o que permitirá fornecer informação para possíveis atualizações das recomendações de políticas globais.  

 

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