Ricardo da Cruz-Filipe (1934-)
Mar nº 1, 1983 / Inv. 84P707
Ciclo «Fotografia como Arte. Fotografia como Suporte»
Exposição individual de fotografia de Ricardo Cruz-Filipe (1934), integrada no ciclo de exposições «Fotografia como Arte/Fotografia como Suporte», programada pelo Centro de Arte Moderna (CAM) em colaboração com o Serviço de Animação, Criação Artística e Educação pla Arte (ACARTE) da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG).
Chamando a atenção para a interdisciplinaridade entre fotografia e pintura, o diretor do CAM, José Sommer Ribeiro, assinalava: «A obra de Cruz Filipe é um caso bem característico de como um pintor se apodera de diversos elementos fotográficos para a composição das suas obras. Desde 1970 que Cruz Filipe utiliza telas fotossensibilizadas e é notável este seu trabalho durante os últimos quinze anos.» (Cruz Filipe. Pintura, 1986)
No CAM foram apresentadas 48 pinturas do artista, realizadas entre os anos de 1975 e 1986, nas quais era possível compreender a evolução das suas pesquisas artísticas e influências (referências maneiristas e românticas, o onírico, fragmentação, construções e articulações espaciais), bem identificadas por Vasco Graça Moura num dos textos do catálogo (Cruz Filipe. Pintura, 1986).
Citando Man Ray, o professor e historiador de arte Bernardo Pinto de Almeida sintetizava a prática artista de Cruz-Filipe nos seguintes termos: «À pintura de Cruz Filipe seria aplicável a célebre fórmula de Man Ray: “Eu fotografo o que não quero pintar e pinto o que não consigo fotografar.” Só que nos seus quadros as duas imagens coincidem, como na mesa de dissecação, para se justapor e engendrar uma e outra imagem que é ainda imagem do Outro, da alteridade que o sonho fragmentariamente revela.» (Almeida, Colóquio/Artes, mar. 1987, p. 28)
Este ciclo de exposições, iniciado com uma exposição de Gérard Castello-Lopes, e à qual se seguiu esta exposição de Cruz-Filipe, previa igualmente a apresentação de outras mostras individuais de artistas relacionados com a prática fotográfica, tais como Jorge Molder (1947), Manuel Magalhães (1945), Eduardo Nery (1938-2013) e Helena Almeida (1934-2018).
Complementarmente a este ciclo expositivo, foi organizada uma mesa-redonda, intitulada «Fotografia como Arte. Fotografia como Suporte», que contou com a participação de Cruz-Filipe, Gérard Castello-Lopes, José Afonso Furtado, Fernando Gil, Emídio Rosa Oliveira, Jorge Molder, António Sena da Silva e António Sena.
O ACARTE promoveu outros eventos que permitiam desenvolver a reflexão em torno da obra de Cruz-Filipe, com destaque para a realização de uma conversa informal com o pintor, que teve como interlocutores Ana Hatherly, Fernando de Azevedo e Bernardo Pinto de Almeida, além de uma visita à exposição, orientada pelo crítico de arte Fernando Pernes.
As estatísticas do número de visitantes registadas pelos serviços da FCG indicam uma afluência média de 45 visitantes por dia e um total de 1230 no conjunto dos fins de semana.
Filipa Coimbra, 2017
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