Manuel Magalhães (1945-)
S/Título (nu feminino), 1986 / Inv. FP149
Ciclo «Fotografia como Arte. Fotografia como Suporte»
Quinta exposição do ciclo «Fotografia como Arte/Fotografia como Suporte», o qual decorreu no Centro de Arte Moderna entre outubro de 1986 e maio de 1987. Foi antecedida pelas mostras «Gérard Castello Lopes. Insignificâncias», «Cruz Filipe. Pintura», «Fotografias de Jorge Molder» e «Helena Almeida. Frisos», seguindo-se-lhe «Eduardo Nery. A Verdade da Ilusão».
Paralelamente às mostras e respetivas visitas guiadas, foram organizados, com a colaboração do Serviço de Animação, Criação Artística e Educação pela Arte (ACARTE), dois colóquios, para reflexão e debate acerca da prática da fotografia na contemporaneidade. A complexidade e abrangência do tema do ciclo é de imediato evidente no leque de artistas selecionados: três pintores que fazem usos distintos da fotografia (Cruz Filipe, Eduardo Nery e Helena Almeida) e três fotógrafos – um de rua ou do «momento decisivo» (Gérard Castello Lopes), um de ficções (Jorge Molder) e um outro do nu feminino (Manuel Magalhães). Não foi, todavia, desta forma que uns e outros foram agrupados. Optou-se antes pela sua apresentação alternada, como se pode verificar pela cronologia das exposições.
Nesta exposição, a fotografia surge como forma artística maleável. Manuel Magalhães (1945) dedica-se ao tratamento do nu feminino – um dos temas mais antigos da história da arte e um dos primeiros géneros da fotografia –, sem se deixar intimidar pelo peso da história e pelos nomes emblemáticos que revolucionaram o género, como Edward Weston, Man Ray, Robert Mapplethorpe, entre outros. Nas imagens fotográficas aqui expostas, o tempo de captação e as várias intervenções sobre a impressão contribuem de igual forma para o resultado. Giuliana Scimé considera que Manuel Magalhães «recupera no seu trabalho um classicismo límpido de clara marca europeia e uma habilidade manual da mais rica tradição artesanal» (Fotografias de Manuel Magalhães, 1987).
Este conjunto coeso mostrava não só uma multiplicidade de olhares sobre o nu feminino e os seus diversos recantos, como a exploração de diferentes técnicas. Em alguns casos, as imagens parecem uma espécie de aguarelas ou desenhos fotográficos, alcançados através de desfocagens, ampliações e intervenções. Entre estes fragmentos instantâneos apareciam outros, nos quais arrastamentos fantasmagóricos faziam pressentir o aprisionamento do movimento.
Esta exposição esteve patente na Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, por solicitação do vereador do Pelouro da Cultura, do Desporto e do Turismo, sendo apresentada no âmbito das comemorações do terceiro aniversário da elevação de Oliveira de Azeméis a cidade. No ano seguinte, integrou a programação do Museu Nogueira da Silva, em Braga, e do Museu Luís de Camões, em Macau, por intermédio do «Ciclo de Fotografia Portuguesa Contemporânea (Primeira Parte)».
Mariana Roquette Teixeira, 2017
S/Título (nu feminino), 1986 / Inv. FP149
S/Título (nu feminino), 1986 / Inv. FP149