Gilbert Fastenackens (1955-)
sem título, Inv. FE23
Ciclo «Acontecimentos»
Exposição integrada no ciclo «Acontecimentos», um projeto comissariado por Jorge Molder e Pedro Miguel Frade. Acolhido pelo ACARTE e organizado em colaboração com o Centro de Arte Moderna (CAM), este ciclo dava continuidade a anteriores iniciativas dedicadas à fotografia contemporânea, como o ciclo «Fotografia como Arte/Fotografia como Suporte». Ao longo de três meses (outubro-dezembro de 1988), foram apresentadas três exposições, duas conferências e uma mesa-redonda.
O convite feito aos seis fotógrafos selecionados para expor na Sala de Exposições Temporárias do CAM implicava um desafio: fotografarem certos fenómenos ou acontecimentos que lhes eram propostos pelos comissários (e que os afastavam dos seus temas de eleição e do género fotográfico que definia o seu trabalho), ou que traziam novos desafios ao modo como faziam fotografia. A série fotográfica daí resultante, realizada em Portugal, seria exposta em confronto com trabalhos anteriores, de modo a detetarem-se ruturas e continuidades. Cada uma destas exposições dava o mote para uma conferência proferida por um crítico internacional. O critério para a seleção dos fotógrafos e conferencistas é explicado pelos comissários do seguinte modo: «Tais convites não devem ser entendidos como representando um qualquer “state of the art”, mas, tão-só, como manifestando afinidades de gosto e reflexão.» (Acontecimentos, 1988)
Esta iniciativa tinha igualmente como objetivo «dotar o acervo do CAM de colecções de fotografia de autores de grande reputação e expressamente elaboradas» (Projeto apresentado ao ACARTE por Jorge Molder e Pedro Miguel Frade, 20 mar. 1987, Arquivos Gulbenkian, CAM 00155), tendo sido posteriormente acordada a aquisição de três fotografias a cada um dos artistas convidados.
Larry Clark (1943) e Gilbert Fastenaekens (1955) abriram o ciclo. O primeiro, conhecido pelas suas imagens cruas sobre o desejo na juventude, os vícios, a violência, as situações-limite, foi desafiado a fotografar jardins de Lisboa, e o segundo, que revelava uma forte atração por paisagens noturnas, frias, maioritariamente de ruínas urbanas e industriais, foi convidado a captar o mar durante o dia. Fastenaekens mantém-se fiel às pesquisas que então o ocupavam, dirigindo o seu olhar para vestígios, detritos da passagem e de ações do homem na costa a sul de Lisboa. Também Clark encontra nos jardins certas situações ou particularidades que o transportam, de certo modo, para o seu universo, concentrando-se em vivências mais obscuras, do presente ou do passado, que tiveram lugar nesses espaços verdes.
Para analisar esta exposição, no âmbito da fotografia contemporânea e suas problemáticas, foi convidado o crítico de fotografia norte-americano Max Kozloff.
Mariana Roquette Teixeira, 2018
sem título, Inv. FE23
Gardens of Lisbon (#3), 1988 / Inv. FE19
Gardens of Lisbon (#4), 1988 / Inv. FE18
Gardens of Lisbon (#6), 1988 / Inv. FE17