Teste de saliva para deteção de SARS-CoV-2 distinguido com o Grande Prémio da Sociedade Portuguesa de Pediatria

Iniciativa reconhece os melhores trabalhos em qualquer das áreas científicas da Pediatria.
© Joana Carvalho, IGC 2020

A investigação, liderada pelo Instituto Gulbenkian Ciência e que juntou o Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC) – Hospital de Dona Estefânia e o Hospital Professor Doutor Fernando da Fonseca, demonstrou que a saliva pode ser usada eficazmente no diagnóstico de SARS-CoV-2. O teste de saliva desenvolvido, associado a um teste molecular de PCR, apresenta uma sensibilidade semelhante à dos atuais testes com amostras nasofaríngeas e substancialmente superior à dos testes rápidos de antigénio.

O procedimento foi validado, numa primeira fase, em 49 adultos internados no Hospital Professor Doutor Fernando da Fonseca com patologias relacionadas ou não relacionadas com COVID-19 e, numa segunda fase, em 85 crianças, até aos 10 anos de idade, internadas no CHULC – Hospital de Dona Estefânia entre 25 de agosto de 2020 e 20 de junho de 2021.

Para Maria João Amorim, investigadora do IGC e coordenadora do estudo, “demostramos que este método é tão eficaz quanto os testes que recorrem a amostras nasofaríngeas”. Segundo Marta Alenquer, investigadora do IGC e primeira autora do artigo disponível em bioRxiv, “este teste revelou, ainda, outro benefício associado: a possibilidade de omitir o passo de extração de RNA que reduz substancialmente o tempo e custos associados à realização da análise e aumenta a capacidade de testagem.”

Nesta fase da pandemia de COVID-19, o rastreio de SARS-CoV-2 em ambientes escolares é fundamental para quebrar cadeias de transmissão e, ao mesmo tempo, compreender o papel das crianças na transmissão do vírus na comunidade e no desenvolvimento de novas variantes. É, por isso, fundamental implementar métodos de testagem abrangentes, que sejam fáceis de executar, mas também altamente sensíveis e específicos.

“A colheita através de zaragatoa nasofaríngea é uma técnica invasiva, desconfortável, especialmente para as crianças, e que requer profissionais experientes, pelo que nem sempre é fácil de realizar” explica Maria João Brito, responsável da Unidade de Infeciologia do CHULC – Hospital de Dona Estefânia. A utilização de saliva é uma alternativa menos invasiva e que requer menos logística, podendo ser colhida pelo próprio ou com a assistência dos pais ou professores.

O Grande Prémio SPP, distinção da Sociedade Portuguesa de Pediatria, foi atribuído durante o último congresso anual, realizado no final de outubro.

Em paralelo, o método desenvolvido já está a ser implementado no Instituto Gulbenkian de Ciência como forma de monitorizar os colaboradores da instituição, tendo-se revelado determinante na identificação de pessoas infetadas e na adoção de medidas de contenção de contatos e interrupção da transmissão.

Atualização em 10 novembro 2021

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