Dois investigadores em Portugal nomeados membros da EMBO

Raquel Oliveira © IGC, 2022

A EMBO anunciou hoje que irá eleger Raquel Oliveira e Carlos Ribeiro como Membros vitalícios da Organização Europeia de Biologia Molecular (EMBO) em reconhecimento dos seus contributos na área das ciências da vida. Para além de Raquel Oliveira e Carlos Ribeiro, que conduzem a sua investigação no Instituto Gulbenkian de Ciência e na Fundação Champalimaud, respetivamente, 56 outros Membros da EMBO foram eleitos este ano, pertencendo a 15 diferentes Estados-Membro da Conferência Europeia de Biologia Molecular (EMBC), instrumento intergovernamental de financiamento da EMBO.

Raquel Oliveira, que lidera o laboratório de Dinâmica de Cromossomas no Instituto Gulbenkian de Ciência, sentiu “amor à primeira vista” pelos cromossomas e pela sua segregação quando observou, pela primeira vez, a divisão nuclear no embrião da mosca-da-fruta ao microscópio. Desde aí, tem-se dedicado a estudar este processo. Durante o seu PhD, Raquel estudou a condensação dos cromossomas mitóticos, sob a supervisão do Professor Claudio Sunkel, no Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) da Universidade do Porto (título atribuído em 2007, Universidade de Coimbra, Programa Doutoral BEB). Posteriormente, Raquel iniciou uma posição de pós-doutoramento no Departamento de Bioquímica da Universidade de Oxford. Em 2012, regressou a Portugal para estabelecer o seu grupo de investigação no Instituto Gulbenkian de Ciência. Em breve a investigadora assumirá a posição de Professora Associada da Católica Medical School e será vice-diretora do recentemente estabelecido Centro de Investigação Biomédica da Católica.

O laboratório de Raquel estuda como a arquitetura dos cromossomas contribui para a segregação adequada dos cromossomas, assegurando a distribuição correta da informação genética e a estabilidade do genoma a cada divisão celular. O laboratório está interessado em compreender como é que os cromossomas mitóticos são formados, como a sua estrutura afeta vários processos que envolvem a molécula de ADN (ex.: transcrição) e, em última análise, como falhas nestes processos influenciam a mecânica da divisão celular, a fisiologia das células e o desenvolvimento do organismo.

Ao longo da sua carreira, Raquel Oliveira fez várias descobertas sobre princípios básicos relacionados com a arquitetura dos cromossomas mitóticos. Em paralelo, o trabalho desenvolvido por Raquel tem identificado novas causas do aparecimento de aneuploidias e de instabilidade cromossómica que estão na base de várias doenças humanas, tais como problemas no desenvolvimento, infertilidade e cancro. Esta é a segunda vez que Raquel é reconhecida pela EMBO. Em 2013, Raquel recebeu uma EMBO Installation Grant, que foi crucial para impulsionar o início da sua carreira independente. Raquel recebeu também outras bolsas e prémios de prestígio, incluindo duas bolsas do European Research Council (ERC), em 2014 e 2021, e o “Prémio Dona Antónia Adelaide Ferreira” (Prémio Revelação) em 2016.

“É uma grande honra ser eleita membro da EMBO, particularmente porque esta nomeação reflete o reconhecimento por parte dos meus colegas”, diz Raquel. “É um privilégio fazer parte de um grupo com cientistas tão extraordinários, muitos dos quais foram excelentes mentores ou uma forte inspiração ao longo da minha carreira. Estou ansiosa por expandir a minha participação nas atividades da comunidade EMBO e por fortalecer a ciência europeia”.

Carlos Ribeiro © Alexandre Azinheira, Fundação Champalimaud

Carlos Ribeiro é investigador principal do Programa Champalimaud de Neurociência em Lisboa, Portugal. Nasceu em Basel, na Suíça, filho de pais imigrantes, e realizou o seu doutoramento no laboratório de Markus Affolter no Biozentrum da Universidade de Basel, onde foi pioneiro no uso de imagens in vivo para estudar os mecanismos moleculares e celulares usados ​​para identificar a rede respiratória tubular da mosca da fruta Drosophila melanogaster.

Para o seu pós-doutoramento, juntou-se ao laboratório de Barry Dickson no IMP em Viena, Áustria, onde trabalhou pela primeira vez na orientação de axónios embrionários. Pode então testemunhar o poder da neurogenética na Drosophila, aprofundar a compreensão da base molecular e celular do comportamento, e interessar-se pela tomada de decisões e nutrição na mosca-da-fruta adulta. Em 2009, mudou-se para Lisboa para integrar o recém-fundado Programa Champalimaud de Neurociência.

A nutrição é um fator determinante para a saúde, o bem-estar e o envelhecimento. O laboratório de Carlos Ribeiro na Fundação Champalimaud trabalha na interface entre os circuitos neuronais, o comportamento, o metabolismo, o microbioma e a fisiologia para descobrir e caracterizar mecanismos conservados ao longo da evolução das espécies, responsáveis pela regulação de como os organismos decidem o que comer e como essas decisões afetam a sua saúde e bem-estar. O laboratório procura compreender o animal como um todo, de forma integrada e perceber como a nutrição afeta o comportamento do animal no contexto do seu fitness.

O trabalho de Carlos Ribeiro tem contribuído para a compreensão de como os nutrientes, a fisiologia do organismo e os estados reprodutivos atuam ao nível dos circuitos neuronais e dos mecanismos moleculares para controlar como o cérebro processa informações sensoriais e seleção de nutrientes. Mais recentemente, o seu laboratório caracterizou como a interação metabólica entre micróbios intestinais específicos regula os desejos de comida e a reprodução. Carlos assumiu ainda funções de liderança a nível internacional, tendo sido eleito membro da Federação das Sociedades Europeias de Neurociências.

“Sinto-me profundamente honrado por esta eleição como membro da EMBO”, diz Carlos Ribeiro. “É uma organização que admiro pelo seu apoio inabalável à biologia em toda a sua diversidade e que teve um tremendo impacto no universo científico. Vejo esta eleição principalmente como um reconhecimento das conquistas das pessoas incríveis do meu laboratório e da comunidade que trabalharam connosco para colocar a Fundação Champalimaud no mapa científico. Tendo crescido como filho de modestos imigrantes na Suíça, nunca imaginei poder vir a fazer parte deste grupo de inspiradores cientistas. Estou muito entusiasmado com a possibilidade de, a partir da EMBO, poder contribuir para tornar a ciência mais acessível a pessoas provenientes de contextos desprivilegiados.”

Sobre a EMBO 

Os principais objetivos do EMBO são estimular a troca de informações científicas e apoiar investigadores talentosos em todas as etapas de suas carreiras através de financiamento, cursos, workshops, conferências e iniciativas de política científica.

A tradição da EMBO de reconhecer cientistas das ciências vida excecionais como membros remonta a 1963, quando um grupo inicial de 150 membros foi selecionado pelo Conselho da EMBO. Desde então, os membros EMBO foram convidados a nomear e eleger investigadores excecionais para se juntar à comunidade, com eleições realizadas anualmente. Os novos membros do EMBO Raquel Oliveira e Carlos Ribeiro juntam-se a uma lista crescente de investigadores de renome eleitos antes deles, que inclui 90 laureados com o Nobel.

 Os membros do EMBO participam ativamente das iniciativas do EMBO, por exemplo, servindo no Conselho e nos comitês do EMBO, orientando jovens cientistas ou apoiando atividades como a promoção de políticas científicas sólidas. Os membros também orientam e apoiam a organização para garantir a mais alta qualidade na seleção de futuros membros, bolseiros de pós-doutoramento, cursos e workshops.

Atualização em 06 julho 2022

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