INFO-VAC Idosos de Almeirim

Estudo de efetividade da vacina contra a Covid-19 realizado em lares de Almeirim revela que apenas 25% desenvolve anticorpos após a primeira dose.

O Instituto Gulbenkian de Ciência, em parceria com a Câmara Municipal de Almeirim e o Agrupamento de Centros de Saúde da Lezíria, conduziu o estudo em idosos residentes em lares, vacinados com a vacina da Pfizer, que mediu os anticorpos contra o SARS-CoV-2 antes da vacinação, três a quatro semanas após a primeira dose e 3 semanas após a segunda dose.

O estudo foi realizado em 146 idosos, com idade superior a 70 anos, residentes em lares de Almeirim. Os resultados revelam que apenas 25% desenvolve anticorpos após a primeira dose, valores que chegam aos 95% depois da segunda toma. 5% dos participantes não desenvolve imunidade após a toma da vacina. Resultados promissores para a construção de imunidade de grupo, que reforçam a necessidade de cumprir o processo vacinal e de não aligeirar as medidas de proteção respiratória e de distanciamento social, quer entre a primeira e a segunda dose da vacina, como após todas as tomas.

Se por um lado, a introdução das vacinas na população requer o seu acompanhamento e vigilância apertada, por outro, a análise da resposta vacinal contra a Covid-19 em pessoas idosas tem sido pouco estudada. Conhecer esta resposta, em diferentes populações e em diferentes faixas etárias, é determinante para ajustar as políticas de vacinação ou uma possível revacinação. O estudo indica que a segunda dose da vacina é essencial para maximizar a resposta vacinal por anticorpos, uma vez que a maioria das pessoas nesta faixa etária não desenvolve anticorpos apenas com uma dose da vacina, o que poderá ser insuficiente para conferir proteção. Por isso, o intervalo de tempo entre a primeira e segunda dose pode ser um período de suscetibilidade para muitas pessoas neste escalão etário.

Comparativamente com dados obtidos em populações mais novas, este estudo mostra que a resposta à primeira dose é muito mais ténue nas faixas etárias mais altas e que há uma fração destas pessoas que não desenvolve anticorpos após a segunda dose. O estudo revelou que 5% dos participantes não desenvolveram anticorpos o que indica que para este grupo específico importa considerar uma abordagem personalizada e garantir as medidas de proteção respiratória e de distanciamento social até se encontrarem novas formas de prevenção da doença.

O Instituto Gulbenkian de Ciência tem vindo a desenvolver o INFO-VAC: Estudo de efetividade da vacina contra SARS-CoV-2 em diferentes faixas etárias da população, e com utilização de diferentes vacinas disponíveis no país, em parceria com hospitais e autarquias. Os dados recolhidos serão partilhados com o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge que agilizará, com as Agências Europeias (ECDC), a monitorização nacional alargada o que permitirá fornecer informação para possíveis atualizações das recomendações de políticas globais.

Os resultados foram apresentados numa sessão transmitida ao vivo, que pode acompanhar no vídeo abaixo.


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