Rosana Antolí. Uma Ária para o Pato-real

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«Uma Ária para o Pato-real» pretende reimaginar a forma operática tradicional ao dedicar uma ária a um ser para-além-do-humano – o pato-real.

Rosana Antolí (Alcoi, Espanha, 1981) é uma artista multidisciplinar e criadora de performance sediada no Reino Unido, cuja prática explora temas ecofeministas e para-além-de-humanos através de experiências imersivas que desafiam as perceções da identidade, do corpo e da ação.

Com Uma Ária para o Pato-real, Antolí explora a interseção entre arte e ciência, utilizando o som, a escultura e o lugar para realçar a interligação de um ecossistema.

Esta instalação insere-se no âmbito das práticas contemporâneas da ecoarte e da bioacústica, que visam desafiar as perspetivas antropocêntricas. Ao misturar as tradições da ópera com narrativas ecológicas, a artista reflete sobre a relação entre os seres humanos, as espécies não humanas e os ambientes que partilham.

Com uma abordagem inovadora à cocriação, o projeto não só recolhe sons não-humanos, como os dos pássaros, mas cria ativamente um diálogo com os mesmos, o que resulta em canções interpretadas pela soprano do Coro Gulbenkian, Claire Rocha Santos e as vozes de habitantes do Jardim Gulbenkian. 

Abrangendo a atividade subtil das plantas, a libertação de CO2, e as partículas voláteis responsáveis pelos aromas das flores e da folhagem, o Jardim é aqui considerado como uma entidade performativa, com o seu próprio tempo e ritmos, formados pelos seus corpos visíveis e invisíveis. Ao integrar estas dinâmicas, a obra convida o público a experimentar este espaço como um sistema vivo e interligado, promovendo uma consciência mais profunda das interações entre o som, o movimento e o mundo para-além-do-humano.

Posicionada na superfície refletora do lago, uma escultura serve como partitura visual da composição, contribuindo para a experiência imersiva da instalação. Cada parte da peça responde a um som ou movimento diferente, ligando elementos auditivos, visuais e físicos ao ambiente natural que a rodeia.

O aço corten utilizado na escultura irá integrar-se naturalmente com a estética do Jardim. Não só pode já ser encontrado no seu mobiliário, como também é um material que respeita os seus habitantes, uma vez que, por exemplo, não reflete a luz, não afetando assim os seus comportamentos e vivências. Este material evolui com o tempo, com o processo de oxidação a causar mudanças na cor e textura, refletindo a relação dinâmica da escultura com o espaço.

Com música e arte sonora do compositor eletroacústico Jorge Ramos, as canções são tocadas três vezes por dia, às 10:00, 14:00 e 18:00, em três variações da composição – a primeira apresenta apenas a música eletroacústica; a segunda inclui as vozes para-além-de-humanas da carriça, do chapim-azul, do estorninho-preto, do melro-preto e do pato-real; e a terceira acrescenta a voz da soprano.


Biografias


Áudio


Ficha técnica

Criação e Direção de Arte

Rosana Antolí

Composição Musical e Arte Sonora

Jorge Ramos

Soprano

Claire Rocha Santos

Colaboração científica

Rui Oliveira

Jardim Gulbenkian

Paula Côrte-Real

Programa Gulbenkian Cultura

António Gomes da Costa

Intérprete principal

Pato-real

Coro

Carriça
Chapim-azul
Estorninho-preto
Melro-preto

Variações eletrónicas

Plantas do Jardim Gulbenkian

Uma parceria entre o CAM, o Programa Gulbenkian Cultura, o Jardim Gulbenkian e a Gulbenkian Música

Apoios

A Fundação Calouste Gulbenkian reserva-se o direito de recolher e conservar registos de imagens, sons e voz para a difusão e preservação da memória da sua atividade cultural e artística. Caso pretenda obter algum esclarecimento, poderá contactar-nos através do formulário Pedido de Informação.

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