XII Bienal de São Paulo. Representação Portuguesa

Bienal Internacional de São Paulo

Exposição das obras selecionadas para integrar a representação portuguesa na «XII Bienal de São Paulo», da autoria de Gil Teixeira Lopes (1936), José Rodrigues (1936-2016) e Manuel Baptista (1936). O percurso criativo de cada artista era representado por 20 obras.
Exhibition of the works selected to represent Portugal at the 7th São Paulo Art Biennale. The creative careers of of the artists, Gil Teixeira Lopes (1936), José Rodrigues (1936-2016) and Manuel Baptista (1936), were each represented in 20 artworks.

Entre outubro e dezembro de 1973, teve lugar em São Paulo, Brasil, a «XII Bienal Internacional de Arte», presidida por Francisco Matarazzo Sobrinho, que, através do Ministério dos Assuntos Exteriores do Brasil, havia solicitado à Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), em janeiro de 1973, a organização da representação portuguesa na referida Bienal.

Para participar na iniciativa foi nomeada uma comissão de seleção, que integrou representantes das principais instituições artísticas nacionais e representantes do Estado: a Secretaria de Estado da Informação e Turismo (SEIT), a Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), a Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses (Gravura), a Sociedade Nacional de Belas-Artes (SNBA) e a Secção Portuguesa da Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA). Na qualidade de Comissário Nacional, foi nomeado José Sommer Ribeiro, então diretor do Serviço de Exposições e Museografia da FCG.

A representação portuguesa localizou-se no segundo piso do pavilhão da Bienal (projetado por Oscar Niemeyer), entre os stands das representações da Noruega e da Coreia do Sul.

Nas categorias de artes plásticas, foram selecionados artistas da «nova geração que se afirmaram ao longo dos anos sessenta», todos eles nascidos no ano de 1936: Gil Teixeira Lopes, na gravura, José Rodrigues, na escultura, e Manuel Baptista, na pintura, atendendo aos seus consistentes percursos individuais. Na opinião do crítico Rui Mário Gonçalves, que assinaria o prefácio do catálogo da representação portuguesa, além da autonomia da obra dos artistas representados, a «transubstanciação das matérias» acabaria por ser transversal na observação das respetivas obras (Representação Portuguesa à XII Bienal de São Paulo, 1973).

Cada artista apresentou um conjunto de 20 trabalhos, representativos do seu percurso criativo, e, no âmbito da premiação da Bienal, Gil Teixeira Lopes receberia um prémio de aquisição «Câmara Portuguesa de Comércio de São Paulo», que lhe garantiu a venda da totalidade das gravuras. Seria ainda vendida uma obra de Manuel Baptista (Relevo, 1973).

Na categoria de «Artes Plásticas do Teatro», foi realizada uma exposição organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian, onde foi apresentado o projeto do Grande Auditório da FCG, da autoria de Ruy Athoughia, Pedro Cid e Alberto Pessoa. Nas criações para o espaço cénico do Grande Auditório, foram apresentados sete projetos cenográficos para o Grupo Gulbenkian de Bailado, que ganharam conjuntamente uma menção honrosa: O Mandarim Maravilhoso e Gravitação, ambos de Artur Casais; Night Sound, de João Charters de Almeida; Dulcineia, de Espiga Pinto; Amargo, de Paulo-Guilherme d’Eça Leal; Antigas Vozes de Crianças e Ritual de Sombra, de Artur Rosa.

A premiação nesta 12.ª edição da Bienal acabou por suscitar alguma indignação por parte da crítica, nomeadamente em Portugal. O crítico de arte Mário de Oliveira manifestaria o seu desacordo relativamente à atribuição de alguns prémios, considerando que haveria candidatos com melhores condições de os receber. Contudo, o crítico destacaria a importância do prémio de aquisição atribuído a Gil Teixeira Lopes, valorizando a qualidade das suas gravuras e a importância de a gravura contemporânea portuguesa se ter inscrito no circuito internacional da arte (Oliveira, Diário de Notícias, 25 out. 1973).

O mesmo autor pronunciou-se também acerca da organização do espaço da Bienal, que, nas suas palavras, «com raras excepções era um autêntico labirinto», elogiando, em contrapartida, a «arrumação e harmonia» do pavilhão de Portugal, considerando-o mesmo um dos melhores entre os demais (Ibid.).

O artista português Fernando Lemos, a residir no Brasil, expressaria igualmente, num artigo para a Colóquio/Artes, algumas críticas às novas regras do modelo para a «XII Bienal de São Paulo» e às escolhas da premiação (Lemos, Colóquio/Artes, n.º 14, out. 1973, pp. 45-48).

Filipa Coimbra, 2016


Ficha Técnica


Artistas / Participantes


Publicações


Documentação


Imprensa


Páginas Web


Fontes Arquivísticas

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Exposições e Museografia), Lisboa / SEM 00004

Pasta com documentação referente à produção da exposição. Contém recortes de imprensa, correspondência recebida e expedida, ofícios internos, elementos para o catálogo e lista de obras. 1973 – 1973

Arquivos Gulbenkian (Serviço de Belas-Artes), Lisboa / SBA 01538

Pasta com documentação referente à produção da exposição. 1973 – 1973


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