Novo Centro de Investigação da Gulbenkian

A assinatura do contrato de concessão entre a Fundação Calouste Gulbenkian e a Administração do Porto de Lisboa decorreu hoje, com a presença do Ministro das Infraestruturas e da Habitação.
José Castelo Branco (APL), Silveira Botelho, Leonor Beleza (Champalimaud), Ministro Pedro Nuno Santos, Isabel Mota, José Neves Adelino (FCG) e Ricardo Medeiros (APL) © DR

A Fundação Calouste Gulbenkian deu hoje um importante passo para a criação do seu Centro de investigação dos efeitos das alterações ambientais na Saude Humana e nos Ecossistemas. O novo espaço na Doca de Pedrouços, em Lisboa,  e permitirá à Fundação, através do Instituto Gulbenkian de Ciência, criar um novo polo científico de investigação focado na forma como os seres humanos estão a ser afetados pelas alterações no meio ambiente em permanente mudança.

“Queremos ter em Portugal um centro de investigação que nos permita compreender de que forma o nosso organismo se relaciona com o Ambiente e como as alterações ambientais estão a condicionar e a ameaçar a saúde de cada ser humano. O novo centro de investigação, do Instituto Gulbenkian de Ciência, será um projeto único a nível europeu”, afirma Isabel Mota, Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian.

“Este centro terá uma abordagem inovadora, investigando a nossa interação com o ambiente, em particular com os micróbios, no contexto da biologia do organismo, da ecologia e evolução, usando tecnologias de ponta e abordagens quantitativas, digitais e teóricas, necessárias para fazer o campo avançar. A visão deste centro é de relevância médica, mudando o foco atual no corpo humano como uma entidade isolada para uma perspetiva integrada que olha simultaneamente para o nosso corpo e o ambiente em que vivemos como elementos-chave para a manutenção da saúde. Para acelerar a nossa ciência e impacto global, iremos reforçar a cooperação com redes científicas estratégicas, e com hospitais e indústria, através da cocriação e inovação mediada pelo Centro Colaborativo Internacional da Gulbenkian. Queremos deixar uma marca inovadora no futuro e juntamente com as outras instituições existentes no mesmo campus servirmos de foco para atração de mais massa crítica e organizações e empresas internacionais à semelhança de campus internacionais, como em Boston, São Francisco, Cambridge” declara Mónica Bettencourt Dias, diretora do Instituto Gulbenkian de Ciência.

A Fundação Calouste Gulbenkian pretende assim instalar, neste polo do IGC, um novo projeto científico centrado no organismo e na sua relação com o ambiente. O projeto focar-se-á, por exemplo, nos fatores que controlam a nossa relação com os micróbios ao longo do tempo – sejam bactérias boas que vivem dentro de nós ou organismos infeciosos como os vírus – utilizando tecnologias experimentais avançadas, além de abordagens quantitativas, digitais e teóricas inovadoras.

© Porto Lisboa
© Porto Lisboa
© Porto Lisboa
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Os mais de 10 mil metros quadrados do novo polo do IGC (área a construir) vão alojar grupos de investigação internacionais ligados às ciências biológicas e biomédicas com formação interdisciplinar.

Além das atividades de investigação científicas, e prosseguindo a preocupação de colocar a ciência no centro da sociedade, o novo espaço do IGC alojará também um novo Centro Internacional Gulbenkian Colaborativo. Neste centro e em complementaridade com atividades que continuarão no edifício antigo do IGC, cientistas interagirão diretamente com empresários, médicos e professores, para valorizar a ciência e promover o espírito critico.

O novo polo do IGC em Lisboa permitirá ainda o aproveitamento de sinergias e o aprofundamento de novas oportunidades de colaboração com institutos de investigação vizinhos. A importância do estudo do organismo e da sua relação com micróbios traz sinergias imediatas com os programas de cancro e neurociências da Fundação Champalimaud e com o estudo de organismos marítimos e da sua segurança alimentar do Instituto Português do Mar e Atmosfera, duas instituições que também vão ocupar o mesmo campus. O Ocean Campus – nome do complexo que vai albergar estas instituições – quer ser um espaço de excelência no que respeita às Ciências Marítimas e Marinhas e à Economia Azul, apostando num cluster de desenvolvimento associado ao mar, através de uma rede de unidades de investigação, ensino e desenvolvimento tecnológico, cujo objetivo principal será gerar inovação e investigação qualificada.

A assinatura do contrato de concessão realizou-se hoje, nas instalações da Gare Marítima de Alcântara, em Lisboa, e contou com a presença do Ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, e da presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Isabel Mota.

 

Atualização em 17 dezembro 2021