20 Abril 2020

Consórcio Serology4COVID desenvolve ensaio serológico para a população portuguesa

Ação conjunta entre instituições de investigação científica é determinante para combater o impacto do vírus SARS-CoV-2 na sociedade

Foi criado o consórcio Serology4Covid entre 5 institutos de investigação científica da área de Lisboa e Oeiras (IGC, iMM, CEDOC-NMS, ITQB NOVA e iBET) para implementar um ensaio serológico para COVID-19 que permite a utilização alargada a nível nacional. A iniciativa tem o apoio do Fundo de Emergência COVID-19 da Fundação Calouste Gulbenkian, da Sociedade Francisco Manuel dos Santos e da Câmara Municipal de Oeiras.

Cerca de 80% dos casos detetados de COVID-19 têm sintomas leves e moderados (febre, tosse e cansaço). Estima-se que uma larga percentagem de casos, provavelmente até mais de 25% poderão não apresentar quaisquer sintomas apesar de permitirem a propagação da infeção. Os testes serológicos que estão a ser desenvolvidos vão permitir reconstruir o passado e identificar quem esteve infetado com o vírus SARS-CoV-2, permitindo ter um panorama mais realista e completo do que se passou no país, para assim gerir melhor o futuro. “É essencial desenhar ensaios serológicos específicos para a COVID-19, a um preço acessível que possam ser utilizados à escala nacional em estudos epidemiológicos: é essa a nossa ambição” diz Mónica Bettencourt-Dias, Diretora do IGC, Instituto Gulbenkian de Ciência

A implementação de um ensaio serológico escalável e económico é essencial para perceber a expansão da imunidade na população e para suportar a implementação de novas estratégias para controlar a propagação e/ou minimizar as suas consequências para a saúde, sociedade e economia. O objetivo é complementar a capacidade já instalada aumentando a abrangência dos testes serológicos. O consórcio constituído vai beneficiar da experiência e capacidade instalada de cada um dos parceiros, o que irá permitir dar uma resposta mais vantajosa científica e economicamente, mas também num curto espaço de tempo. Assim, o iBET – Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica, já se encontra a produzir os antigénios necessários para o desenvolvimento do ensaio em tempo record.

Ao IGC, iMM, CEDOC-NMS e ITQB NOVA cabe a coordenação entre si da implementação e validação dos testes com amostras de sangue de pessoas que estiveram infetadas com a SARS-CoV-2. Os primeiros ensaios estão já em curso. Neste primeiro passo são necessários bioquímicos (ITQB-NOVA), engenheiros (iBET) e imunologistas e virologistas (CEDOC-NMS, IGC e iMM). O desafio seguinte para todos será encontrar parceiros industriais em Portugal com os quais colaborar na massificação destes testes. 

Foi constituído um conselho consultivo que apoiará o Consórcio na tomada de decisão, na produção de pareceres e aconselhamento no desenvolvimento e implementação do ensaio. Este conselho é constituído por prestigiadas figuras, nacionais e internacionais, na área da infeciologia, Filipe Froes (Diretor da Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Pulido Valente), da imunologia, Thiago Carvalho (Diretor do Programa de Doutoramento da Fundação Champalimaud) e Florian Krammer (Professor na Icahn School of Medicine) que desenvolveu protocolo de serologia a ser utilizado e já aprovado pela FDA.

O consórcio pretende, ainda, alargar a participação a entidades privadas que já têm vindo a demonstrar interesse em apoiar esta ação sem precedentes e de inteira partilha de interesse pelo bem comum.