Morfogénese

A Fundação Calouste Gulbenkian realizou um projeto interdisciplinar, abrangendo várias áreas da cultura, inspirado no ano da Biodiversidade 2010, com o intuito de formar uma rede transnacional, envolvendo a investigação científica, arte e ofícios.

 

© Rob Kesseler, 2011

 
 

O artista britânico Rob Kesseler, que possui uma vasta experiência de trabalho com cientistas botânicos de Kew Gardens, no Reino Unido, trabalhou com cientistas do IGC explorando uma variedade de processos microscópicos, incluindo padrões microscópicos encontrados em amostras de flores selvagens portuguesas que coleccionou, e também animais modelo usados no IGC (mosca do vinagre, borboletas, formigas e ratinhos).

Refletindo a forma como a ciência e o mundo natural se fundem com muitos aspetos da vida diária, as suas imagens foram reproduzidas em tecidos e numa coleção de porcelana produzida em colaboração com a Vista Alegre Atlantis (Jardim Porcelânico).

“Tem sido um desafio fantástico e uma oportunidade inspiradora passar um período de tempo a trabalhar ao lado de tantas mentes brilhantes.”
(Rob Kesseler)

 

No Reino Unido, a University of Oxford Botanic Garden acolheu a artista Portuguesa Gabriela Albergaria que trabalhou com diversas espécies de árvores na Harcourt Arboretum da universidade, nos arredores de Oxford.

“Para quem esteja de fora, Arte e Ciência podem parecer dois mundos distintos, com muito pouco em comum – o estúdio e o laboratório, um caótico e desorganizado, e o outro limpo e altamente organizado. Mas como a maior parte das coisas na vida também neste caso nem tudo é preto e branco, existindo mais paralelos que inicialmente se imaginaria. A maior parte da investigação científica de hoje centra-se na escala microscópica, situada para além do olho humano, pelo que, para revelar este mundo microscópico, o cientista tornou-se altamente versátil na utilização de complexos processos de captação de imagem. Deste modo revelou muitas formas complexas e estruturas indispensáveis à Vida. Geralmente, é assumido que o artista lida mais com o mundo do visível através das figuras e do abstracto, mas o poder do trabalho também reside em revelar algo escondido – a expressão da resposta emocional ao objecto a ser observado.

Em séculos anteriores, cientistas e artistas trabalhavam frequentemente juntos para compreender todos os aspectos do mundo vivo e existiram indivíduos notáveis, desde Leonardo da Vinci a Ernest Haeckle, cujo conhecimento atravessava ambas as disciplinas. Devido aos rápidos avanços na tecnologia e a tendência para a grande especialização, surgiu no século XX um grande fosso entre as Artes e a Ciência, mas a recente realização do valor da colaboração fez surgir uma atitude iluminada que favorece a colaboração entre diferentes campos.”
(Rob Kesseler, Artista residente, 2010) 

 

Em baixo, pode encontrar links para exposições e conversas onde Rob Kesseler mostrou parcial ou totalmente o seu trabalho desenvolvido enquanto esteve no IGC:

Jardim Porcelânico FLORID British Ceramics Biennal Number 10 Downing Street Plates, Petals, Pixels