“Sinto que esta é uma viagem que faço em conjunto com o público”
Entrevista a Pat Thomas
Tem sido uma presença regular no Jazz em Agosto, onde atuou com diferentes projetos, como Ahmed, The Locals e X-Ray Hex Tet. Em que medida um concerto a solo difere dessas experiências colaborativas, tanto do ponto de vista musical como pessoal?
Na minha opinião, tocar a solo é o mais difícil. Quando tocamos em grupo, podemos navegar e moldar a música em conjunto; a responsabilidade é partilhada. A solo, tudo depende de nós e isso exige um nível muito maior de concentração.
Na sua forma de tocar parece existir um diálogo constante entre estabilidade e exploração. Como constrói e mantém esse equilíbrio durante um concerto ao vivo?
Tudo, especialmente num concerto a solo, depende da primeira frase musical. Essa primeira frase é influenciada pelo ambiente acústico e pela ressonância da sala, bem como pela energia que emana do público.
Alguns críticos descrevem a sua música como existindo algures entre a oração e o sonho. Quando improvisa, procura conscientemente esse espaço entre estrutura e transcendência ou ele surge naturalmente durante a atuação?
Para mim, tudo começa com a intenção: manter-me aberto e permitir que a música se revele por si própria, sem interferir nesse processo. Sinto que esta é uma viagem que faço em conjunto com o público, fazendo música que conduz a um estado de consciência mais intenso, capaz de transcender o tempo e o espaço.
Olhando para a sua relação com o festival Jazz em Agosto, o que torna esta edição e este concerto a solo particularmente especiais para si?
O Jazz em Agosto é um festival extraordinário e sinto-me verdadeiramente honrado por atuar aqui pela quinta vez consecutiva. Poder apresentar-me a solo num espaço tão especial torna esta ocasião ainda mais significativa para mim.