“Senti inspiração por todas aquelas anotações breves da vida quotidiana na antiga Pompeia.”

Entrevista a Magnus Lindberg

O compositor finlandês, que estará em Lisboa para a estreia em Portugal de “Graffiti” pela Orquestra Gulbenkian, falou connosco sobre a génese da obra.
06 out 2025 2 min

Graffiti é inspirada em inscrições da Roma Antiga. O que o levou a escolher esse universo como ponto de partida para a obra?

Eu apenas senti inspiração por todas aquelas anotações breves da vida quotidiana na antiga Pompeia – outro mundo, onde as pessoas viviam de maneira diferente, mas ainda assim foi muito fácil relacionar-me com aquelas exclamações com quase 2000 anos. Alguns dos textos são rudes, outros trágicos, outros prosaicos. Tanta vida e nenhuma explicação!

A obra foi escrita para grande orquestra e coro. Que desafios específicos encontrou em termos de composição?

Essa foi a minha primeira peça para um grande coro. Fui muito influenciado pela maneira como Igor Stravinsky utilizava o coro quando escrevi Graffiti. Na verdade, de alguma forma, estou sempre a relacionar-me com a música de Stravinsky em tudo o que faço. Acho que a sua música pode sempre servir como ponto de partida, uma referência e um lembrete da liberdade musical.

Grafitti em Pompeia
Grafitti em Pompeia © Katharine Sykes (2012)

Olhando para a sua trajetória dos anos 1980 até hoje, como sente a evolução da sua linguagem musical?

Não sou a melhor pessoa para dizer como a minha música evoluiu. Mas digamos que nunca tive interesse em repetir a mesma coisa; sempre procurei desafios e novas ideias. Um jovem quer libertar-se da tradição, e quanto mais velhos ficamos, mais conscientes nos tornamos, e sentimos a liberdade para voltarmos a algumas tradições. Quero dizer, porque será que nos envolvemos com a música clássica em primeiro lugar? Por causa da riqueza da música que já existe, pelo amor que sentimos por ela.

Este concerto será dirigido por Hannu Lintu. O que significa essa “colaboração” em Lisboa para si?

Tenho tido a felicidade de contar com o maestro Hannu Lintu dirigindo muitas das minhas obras ao longo dos anos. Somos bons amigos e conhecemo-nos bem em função de tantas experiências em comum. Quando temos a sorte de ter um maestro que conhece a nossa música, ele consegue revelar coisas de que não estamos à espera. Ele também pode levantar questões importantes. Em resumo – para mim, a minha música fica melhor quando Hannu dirige!

Oiça um excerto da obra

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